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São Luís -
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Paula Tina



Data de Publicação: 29 de outubro de 2006
 
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O ouro do libertino
Ricardinho, meu andarilho caçador de votos, hoje, sim, estou preparada pra fazer um carnaval fora de época. É só uma questão de tempo. Primeiro vou me fechar naquela cabine de votação e exercer o meu direito de cidadã. Depois da apuração, eu comemoro com o mais borbulhante dos champanhes da Caves du Vin, porque ninguém é de ferro. Como uma mulher civilizada, tive de engolir a seco aquela coisa que os carros de som insistiam em chamar de música. Sabe aquele xarope sonoro da Frente da Traição que o Maranhão inteiro não agüenta mais ouvir!??! Gente, como eles torraram dinheiro nesta campanha!??! Nunca se viu uma campanha tão cara como esta. E fico pensando na pobreza do Jaquisson, cujo patrimônio resume-se a uma quitinete na Ponta d´Areia e a uma caminhonete com 36 prestações abertas. O que faz um homem pobre e libertador diante de tantos milhões e milhões de reais? Liberta-se também, ora bolas... Aviões, helicópteros, carretas de som, caminhões, fartura de bandeiras, camisetas, CDs, cartazes e adesivos, tudo oriundo do dinheiro da Libertação. Fico imaginando aqueles 30 milhões de dólares para acabar com a pobreza do Maranhão... Pobre Jaquisson! Pobre Maranhão!

Pretérito
Mas, enfim, vou comemorar tudo hoje mesmo porque me libertarei daquela “música” vulgar e infame e da cara amarrada dos partidários de Jaquisson. Eles, sim, estão abaixo da linha da pobreza de espírito. Vou festejar o fim dos famigerados debates. Ninguém merece. “Amiga, amigo...”, “oligarquia”, “40 anos de atraso”, “grupo dominante”, “procissão de ambulâncias”... Toda eleição é a mesma carranca com o mesmo discurso. Eu tô passada! Aliás, eles estão passados e sapecados...  

Hilux
Cardinho, me conta uma coisa: Jaquisson tem um genro dono de concessionária de veículos e, ainda assim, até hoje deve 36 prestações de sua caminhonete comprada no crediário? Das duas, uma: ou o Julho Noronha é um péssimo genro ou o sogrão Jaquisson não abre mão de suas reservas nos paraísos fiscais.     

Empreendedorismo
O Julho Noronha, apesar da má fama de muquirana, investiu alto para cortejar a gratidão do sogro pedetista. Não mediu esforços para se associar aos empreendimentos e consórcios de produção da família Lago. Primeiro foi a insuspeita Monreal, que consumiu rios de dinheiro na arrecadação do IPTU dos pobres ilhéus. Noronha não ficou só nisso: com o dinheiro fácil jorrando dos arquipélagos de facilidades na Prefeitura de São Luís, cuidou de especializar-se em assuntos crônicos, como saúde e segurança. Não tardou muito, ele estava com hospital montado em Fortaleza - no Maranhão daria muito na vista do atual prefeito oftalmologista - e uma empresa para vigiar, na base da mais absoluta confiança, os cofres da Prefeitura de São Luís. Com um histórico desses, considero uma injustiça o nome de Julho Noronha não constar da lista dos concorrentes do título de Empresário do Ano. Isso o Zeca Belo não reconhece.   

Treinamento
Não se sabe ainda por que cargas d´água a primeira-dama Ana Kar... Neiro decidiu fazer um curso de defesa pessoal com técnica israelense. Nos salões de beleza e nas academias de ginástica, todas as mulheres do Maranhão estão se perguntando: por que um curso de defesa pessoal a essa altura da relação? Não há razões para se desconfiar de maus tratos por parte do engov Carneiro. Ele nunca foi dado a agressões. Mas para fazer pré-julgamentos, só mesmo estando na pele da primeira-dama. Em matéria de defesa pessoal, ela é implacável: não delega poderes a terceiros. Na foto, Ana defende-se como pode das amarras de seu professor.

Revanche
Essa gente do interior é realmente muito maldosa. Em Caxias, depois do espancamento de professoras em praça pública por partidários da Frente da Traição, decidiram chamar o prefeito agora de Humberto Escrotinho. Ô raça!  

Sósias?
As colunas sociais do Rio não falam de outra coisa. Cecylia Leyte está, sim, vivendo um tórrido romance com o cantor e compositor Chico Buarque. Com a notícia, eu também decidi fazer um curso básico de defesa pessoal, que nem a Ana Kar... Neiro. É que muita gente ainda me acha a cara da Cecylia. E aí já viu, né? Namorar o assediado Chico Buarque é uma ameaça à integridade física de qualquer mulher. Eu ando apavorada.   

Quem é essa mulher?
Dadá Coelha acha que essa história de romance entre Cecylia Leite e Chico Buarque não passa de um antigo sonho da maranhense. E Dadá garante que é um sonho medonho desses que a gente sonha, baba na fronha, se urina toda e já não tem paz. 

Celebridade
Reynaldo Gianecchini está separado de Marília Gabriela. E diz que a Marieta Severo já está pondo a culpa na coitada da Cecylia Leyte. Gente, a menina não pode nem brilhar no Rio...

Alta costura
Lu Alckmim visitou o Maranhão, mas não trouxe nenhum dos seus 400 famosos vestidos badalados em toda a imprensa. Xandra A. Cruz fez as honras da casa e desfilou com Lu pelas principais ruas de São Luís. Um risco para a militância tucana. Felizmente, não foram reconhecidas por ninguém.

Herdeira
Para os que achavam que Xandra tinha saído do Palácio dos Leões com uma mãozinha na Frente e outra atrás, eis que agora a imprensa revela que a dama do Gama está podre de rica. A mais recente aquisição da fofa em Brasília, além do bombeirão sarado, foi um apartamento de cobertura num dos endereços mais badalados da Corte. Isso a Mirante não divulga...  

Fissura
E diz que a OAB perdeu o único OB que ainda tinha. A bela Valéria Lauande abriu dissidência com o Caudas Gólis. Achou-o próximo demais do Palácio dos Leões e decidiu sair rompendo. E, convenhamos, uma OAB sem OB é uó...

Suspeita
Taty e Xandra foram vistas várias vezes esta semana com pacotilhas de dinheiro no escritório de um advogado conhecido do governo. A maliciosa vizinhança da Ponta do Farol avisa: caso a polícia queira encontrar o dinheiro, basta procurar no escritório do procurador.

Vou votar assim e assado (5)
“Amigo, amiga... Chegou a hora da onça beber nas urnas... Vou votar na minha e beber meu leitinho antes de dormir...”, do candidato Jaquisson...

“Não voto e pronto!... A Lulu Alkmista tomou meu primeiro plano na foto de campanha que era pra ser imparcial...”, da ex-grande Xandra A.Cruz...

“Se for por uma questão de idade, vou votar é no Matusalém, com segunda opção na barba do Noel...”, do avis rara Bentivi-de-terno-branco...

“Não posso votar... A Anna saiu em diligência e esqueceu de retirar as algemas e deixar a chave do nosso cofre...”, do insignificante engov Carneiro...

“Não aceito esse tipo de pergunta... Sou um político do BEM... Para o eleitor, é isso o que conta no faz-de-conta...”, do deputado sindical Amim & Ati...

“Eu voto na Tati Quebra-Barraco... Pelo menos ela sobe no palco, não sai do tom e tem jogo de cintura...”, do prefeito vítima de mau-olhado Judas Tadeu...

DIÁLOGOS IMPERTINENTES - Parte 10

A libertação de frente

Dona Maria - Doutor, já que o senhor é médico e tem muita experiência nessa área da saúde, o que é mesmo essa tal de aligarquia que tanto falam por aí?

Jaquisson - Ora, amiga, amiga, o nome certo não é aligarquia e sim oligarquia. A oligarquia é uma coisa muito complicada que talvez não dê pra eu lhe explicar aqui, no meio dessa feira.

Dona Maria - Mas se é tão complicado assim, então deve ser coisa perigosa. Será que é algum tipo de doença, dessas que andam matando gente aí pelo interior, doutor?

Jaquisson - Não, a oligarquia é... É aquele lugar onde somente poucos mandam, a senhora me entende?

Dona Maria - Acho que entendo sim, doutor. Deve ser parecido com o quintal lá de casa. Lá tem um galinheiro cheio, mas somente um galo da crista bem alta manda no terreiro.

Jaquisson - É mais ou menos isso.

Dona Maria - Quer dizer então que o meu galinheiro é uma aligarquia? E eu pensando que isso fosse doença grave...

Jaquisson - Mas é como se fosse uma doença. No seu quintal, o galo é quem dá as cartas e o restante do galinheiro baixa a cabeça.

Dona Maria - Não é doença não, doutor. Lá no galinheiro vivem todos em paz. De vez em quando é que aparece uma galinha goguenta falando em liberdade, mas ninguém dá a menor bola. E no meu quintal ninguém baixa a cabeça, não.

Jaquisson - Isso é muito relativo. O seu galinheiro é apenas uma analogia que estamos fazendo com o povo.

Dona Maria - E quem é essa Ana Luzia?

Jaquisson - É a-na-lo-gi-a! A senhora me dá licença, mas tenho que continuar a minha campanha...

Dona Maria - O doutor falou, falou... e acabou me deixando ainda mais em dúvida com esse negócio de aligarquia. E ainda tem agora essa tal de analogia...

Jaquisson - A senhora precisa conhecer melhor o meu projeto de libertação do Maranhão...

Dona Maria - Ah, doutor, agora o senhor deu um nó no meu juízo. Que libertação é essa? Me conte, vá...

Jaquisson - O Maranhão precisa se libertar do atraso. São 40 anos de oligarquia no governo.

Dona Maria - Peraí, o doutor tá me falando em 40 anos... Então o senhor tá incluindo aí muita gente no governo, não é mesmo? O seu amigo Carneiro, por exemplo, está há cinco anos no governo. Tem o Luiz Rocha, pai do também seu amigo Roberto Racha, que passou quatro anos no governo. Tem também o seu colega João Castelo, que governou o Maranhão por quatro anos. Só aí o senhor já me comeu quase 12 anos de aligarquia...

Jaquisson - Não é bem assim... A senhora é mais esperta do que eu imaginava... Eu acho que a amiga...

Dona Maria - Ainda não acabei, doutor! O seu grupo está no comando da Prefeitura de São Luís há quase 20 anos, ou seja, é tudo mais ou menos parecido com o galinheiro lá de casa...

Jaquisson - Eu posso explicar. A oligarquia deles é mais consistente. A nossa é totalmente dialética.

Dona Maria - Dia... o quê?

Jaquisson - Dialética, Hegel, Marx, essas coisas que a senhora talvez não entenda! Saiba que mais de 900 mil maranhenses já foram embora do Maranhão.

Dona Maria - Pois já tá mais do que na hora desse povo todo voltar ao Maranhão, o doutor não acha? E que tal se o senhor começasse dando o exemplo, trazendo de volta o seu filho, que mora em Cuba, e a sua filha que mora na Inglaterra?

Jaquisson - Ora, amiga, amiga... Assim a senhora me deixa numa situação difícil... A senhora pelo visto já aderiu ao grupo dominante...

Dona Maria - Não, doutor, ainda estou vivendo um impasse.

Jaquisson - E o que é impasse pra senhora?

Dona Maria - Impasse? Impasse é o que está acontecendo comigo agora. Acabei de menstruar, estou sem modess, vou sair da feira debaixo de um sol inclemente como o de hoje, chegarei em casa daquele jeito e o meu marido, já com umas dez na cabeça, vai querer me usar. O meu impasse é se eu cedo pra ele a minha frente de libertação assim mesmo, ao molho pardo, ou se fico o domingo no atraso.

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