O Maranhão e o seu povo perderam com a eleição do ex-prefeito Jackson Lago. Perdeu o Maranhão porque o resultado do pleito legitima um modelo de administração que está atolado num lodaçal sem fim de denúncias comprovadas de corrupção, roubalheiras e desmandos implantados pelo atual governador José Reinaldo Tavares, a quem o senador José Sarney chamou muito apropriadamente de "Judas andrajoso e repugnante". Perdeu o povo do Maranhão que, na maioria esmagadora dos colégios eleitorais de nosso estado, deu a vitória à senadora Roseana Sarney.
Não se pode considerar legítima uma eleição que usou de todos os métodos mais condenáveis para atingir seus objetivos que, ao contrário do que apregoam os falsos arautos da moralidade, nada têm a ver com a renovação das práticas políticas ou com o fim de um ciclo de dominação de um grupo que sempre esteve na linha de frente da defesa dos interesses do nosso povo.
Não há legitimidade e menos ainda moralidade numa vitória que foi construída à custa da desgraça de nossa gente, do aviltamento da campanha política e na desmoralização de políticos que foram comprados de forma escancarada. Nos últimos três ou quatro meses, exatamente no período de acirramento da campanha, deu-se curso à montagem de gigantesco esquema de corrupção, deflagrado pelo governador José Reinaldo com o intuito de eleger qualquer um dos seus candidatos.
Para isso, José Reinaldo financiou os esquemas de campanha de Aderson Lago, de Edison Vidigal e, principalmente, do próprio Jackson Lago, com dinheiro retirado da Saúde, da Educação, da Infra-Estrutura.
Para chegar à vitória de Jackson, seu parceiro e financiador José Reinaldo corrompeu, achincalhou, perseguiu adversários, coagiu servidores públicos e demitiu aqueles que não aceitaram se submeter ao seu tacão. Há, pois, legitimidade num mandato adquirido assim.
O estado foi usado para que Jackson Lago fosse eleito. Não há, portanto, como aceitar e referendar esse resultado. O candidato de José Reinaldo aceitou e - sabe-se agora através da denúncia de compra de votos feita pelo ex-prefeito de Olinda Nova, Mimi Cutrim -, até referendou a corrupção, usando de seus principais amigos e até do próprio genro, para cooptar apoio.
É inaceitável, para o bem da sociedade, que se legitime uma eleição marcada pelo abuso de poder do Estado, coação eleitoral, compra de votos, uso abusivo da máquina administrativa, conforme foi sobejamente comprovado com a prisão de um elemento com nota de compra de combustível que confessou tê-la recebido em troca de seu voto para Jackson Lago.
A eleição de Jackson está indelevelmente associada ao governo corrupto de seu mentor político José Reinaldo. Quem prega moralidade, quem condena a suposta falta de ética nos outros, não pode ser cúmplice da forma corrupta de governar de José Reinaldo, não pode se beneficiar com a maior desfaçatez da compra de prefeitos, numa prática imoral e corrosiva da ética de uma eleição que se exigia democrática e igualitária.
Falta legitimidade ao novo governador. O que saiu das urnas foi uma aberração. Em apenas dois ou três grandes colégios eleitorais foi investido dezenas de milhões de reais, numa campanha covarde e ofensiva à honra da senadora, onde se mentiu da forma mais deslavada, para atingir o objetivo doentio de José Reinaldo.
O Maranhão e o seu povo perderam. Afinal, pode ser obrigado a ver por mais quatro anos o mesmo modelo de roubalheira que hoje vige no Maranhão, implantado por José Reinaldo.