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Jackson terá que buscar apoio de Sarney e Roseana para governar



Data de Publicação: 31 de outubro de 2006
 
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Entendimento
Senador continua forte

MA conclui que era pós-Sarney não se dá sem o senador
Passada a festa pela vitória de Jackson Lago (PDT), que varou a madrugada na "Ilha Rebelde", apelido que São Luís ganhou pelas greves nos anos 1950, os maranhenses começaram a perceber que a era pós-Sarney não se consolidará sem o entendimento com o clã que governa o Maranhão há 40 anos.

No estado, o consenso era a necessidade da união dos grupos políticos em torno de Jackson Lago, da aproximação com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que fez campanha pela pefelista Roseana Sarney, e, sobretudo, do armistício com o clã.

"Tem de ter transformação depois de 40 anos na mão dos Sarney, mas muita gente em Brasília é deles. Tem que conversar, senão nós vamos comer o pão que o diabo amassou", afirmou à Reuters o advogado Jovino Guimarães, de 37 anos.

O dentista Anóbio Branco, de 56 anos, comemorou a vitória de Jackson na noite de domingo, na praça Maria Aragão, um espaço cultural cujo nome homenageia uma médica comunista. "Jackson tem que governar tranqüilo, senão o José Sarney vai pegar no nosso pé. Conversar com ele é importante," disse ele, que é filiado ao PT.

Virada
Fundador do PDT ao lado de Leonel Brizola, Jackson Lago recebeu 66 por cento dos votos contra 33 por cento de Roseana na capital, da qual foi prefeito por três vezes. A "Frente de Libertação do Maranhão" somou 51,8 por cento dos votos dos quase 4 milhões de eleitores do estado.

Roseana, que sofreu a virada depois de vencer no primeiro turno com 47 por cento dos eleitores contra 34 por cento de Jackson, reconheceu a derrota com "tranqüilidade" em sua residência no Calhau, ainda no domingo.

"O povo é soberano, isso é que é importante. Vou continuar ajudando o Maranhão porque aqui é minha terra, é minha paixão", disse a senadora, que vai deixar o PFL por ter apoiado a candidatura de Lula à Presidência.

Para o taxista João Gaudério, 37 anos, "o Sarney chateado pode atrapalhar muito e precisa ser chamado para uma conversa".

Durante o discurso da vitória, Jackson disse que vai unir o Estado em torno da educação, anunciou a instituição do orçamento participativo e lembrou Brizola.

"É o meu grande líder ainda, minha referência", afirmou o governador eleito. Em 1972, Jackson foi de São Luis ao Uruguai de carro para visitar o exilado Brizola. Na volta, acidentou-se, perdeu a primeira esposa e ficou em coma por meses. "Estar aqui para viver este momento é a maior vitória".

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