Regis Marques
regisveracruz@uol.com.br
É dose!
O Maranhão saiu das urnas dividido. Jackson ganhou, mas vai ter que buscar o diálogo com a oposição. Ou seja, com os sarneysistas. Terá ainda complicadas negociações para acomodar todo o leque de cores ideológicas que vai da extrema-direita tucana - cujo maior representante é o deputado eleito Roberto Rocha – passa pelos pedetistas históricos que foram reprovados nas urnas e chega ao petismo de resultados, na figura de Dutra.
Não se sabe ainda o que o novo governador vai fazer com um fardo que ainda poderá ser muito pesado: o legado de José Reinaldo Tavares, que certamente vai cobrar seu quinhão. É público e notório que apenas a necessidade de combater Roseana unia os dois. Jackson não perdoa o governador por ter preferido inflar a candidatura de Vidigal a manter o apoio decisivo à sua já no primeiro turno.
O governador eleito sabe com conhecimento de causa que José Reinaldo nunca foi “doze” – só para usar um chavão de campanha.
No máximo, José Reinaldo foi uma dose. Embora benéfica para sua vitória, pois disponibilizou a máquina e a verba.
Mas, para Jackson, continuar com José Reinaldo e sua turma vai ser dose!
É legítimo?
Mais de dois terços dos municípios deram maioria de votos para Roseana. Dos 15 maiores colégios eleitorais Roseana ganhou em 10 e Jackson levou apenas 5. Pergunta-se: terá legitimidade um governo eleito contra a vontade de mais de 65 por cento dos municípios maranhenses.
Legítimo é, mas é, no mínimo, uma aberração.
Lula cresceu
O presidente Lula foi reeleito. E ao contrário do que previam alguns “analistas” tucanos, sua votação no Maranhão deu um salto de dez pontos em relação ao primeiro turno. Em Timon, onde foi com Roseana, Lula subiu 10 pontos percentuais. A senadora passou de 26 mil para 37 mil votos em Timon, subindo quase 20 pontos. Isso mostra que se Lula tivesse ido a Imperatriz, a eleição teria tido outro resultado.
Dois crimes
Que o governador José Reinaldo abriu a burra dos cofres públicos e alimentou a campanha de Jackson todo o mundo sabe. A gente quer saber que posição o TRE vai tomar em relação aos dois flagrantes de crime eleitoral. O caso da tentativa de suborno do ex-prefeito Mimi Cutrim, em Olinda Nova, e o do motorista preso pela Polícia Federal com nota de combustível dado pelo Governo, que confessou ter sido comprado para votar em Jackson.
Cassação
Segundo analistas, os dois casos são irrefutáveis e pode terminar com a cassação do diploma de Julião Amin e do próprio Jackson.
Só para refrescar a memória, outro aliado de Jackson, o corrupto do Amapá, João Capiberibe, foi cassado pelo TSE e pelo STF depois de ter sido flagrado comprando votos por apenas R$ 24,00.
Vade retro - 1
Os governadores José Serra e Aécio Neves não se bicam e têm o mesmo objetivo: suceder Lula em 2010. Depois da eleição, fecharam um pacto para não permitir que essa rivalidade seja explorada até mesmo pelos tucanos. Segundo tucanos, nenhum dos dois deseja ver Geraldo Alckmin na presidência do PSDB. Seria um ônus que não querem carregar.
Vade retro – 2
Nesse projeto para isolar Alckmin, a dupla alinhavou um acordo para a eleição do novo líder do partido na Câmara. O PSDB de São Paulo, dono da maior bancada, indicaria o líder, que seria, obviamente, um serrista. A Minas caberia a vaga na Mesa Diretora da Câmara, que deve ser destinada ao partido.
Corrida
Ontem, o dia foi de muita correria nos cartórios. Muita gente correndo para regularizar empresas. Outros, para registrar outras em nome de familiares e laranjas. É que todo o mundo vai querer sua parte no butim.
E o salário, ó!
Será que o governador eleito vai manter a política salarial dos servidores do estado exatamente como está agora? Ou vai escancarar e mostrar para o Maranhão inteiro que Zé Noel não pagou um salário justo porque não quis? Tchan, tchan, tchan!