Segundo estatísticas da UNB, o Maranhão ocupa a oitava colocação, em todo o país, no número de ocorrências de exploração e abuso sexual de menores. De 1º de janeiro ao dia 16 de agosto, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente apurou 682 denúncias na capital, o que significa quase três casos por dia.
O número é expressivo, considerando que chegam a conhecimento público apenas os casos mais "graves". Contudo, de acordo com o delegado Marcos Wallace Pereira, titular da DPCA, a maior parte das denúncias é contra os pais biológicos e também vizinhos da criança; a maioria dos crimes acontece dentro de casa, em geral nos bairros mais pobres.
De acordo com as estatísticas, das 682 confirmações de abuso sexual, 73 apontaram como autor o pai biológico, 20 envolveram padrastos, outras 70 queixas incidiram contra vizinhos e 53 ocorrências implicaram as próprias mães. Há, também, registros de abuso sexual praticado por avós (6), companheiro (8), madrasta (10), médico (2), namorado (16), policiais (19), primos (7), professores (5), tios (9). Número que chama a atenção relaciona-se às notificações de estupro de adolescentes: 317.
Em 2002, o Maranhão era o 9º nesse tipo de crimes, o que mostra o aumento de ocorrências nos últimos anos. Conforme dados da Abrapia, São Luís liderou, de janeiro a dezembro daquele ano, no número de denúncias de abuso e exploração sexual, seguida por Caxias, São J. de Ribamar, São Luís Gonzaga e São João dos Patos, obtendo-se um somatório de 228 incidências em todo o Maranhão.
No estado, confrontando-se os 228 registros de 2002 contra os 64 de 2001, chegou-se, na época, a um aumento de 256,25% em um ano. Com as 682 notificações de janeiro a agosto deste ano, só em São Luís, os oito primeiros meses de 2006 superam todo o ano de 2002 em 454 casos, significando, até o momento, uma elevação de 199,12 pontos percentuais em 4 anos.