O jornalista Joe Sharkey, repórter do "The New York Times", relata na edição de ontem do diário americano a experiência que ele descreve como uma "colisão com a morte". No relato, em primeira pessoa, o jornalista afirma que o mais surpreendente de tudo é ter sobrevivido ao acidente. Joe Sharkey estava no jato Legacy que teria se chocado com o Boeing 737 da Gol na última sexta-feira.
"Com a janela abaixada, eu estava relaxando numa cadeira de couro a bordo de um jato executivo de US$ 25 milhões, voando acima de imensa floresta amazônica. Sem aviso, senti uma impressionante sacudida e ouvi um estrondo ensurdecedor, seguido por um silêncio assustador. E então ouvi três palavras que jamais esquecerei. 'Nós fomos atingidos', disse Henry Yandle, outro passageiro.", descreve Sharkey.
Depois, Sharkey narra o que chamou de os "30 minutos mais assustadores" de sua vida. "Eu tenho sorte de estar vivo - apenas mais tarde eu soube que as 155 pessoas a bordo do Boeing 737, que provavelmente bateu no nosso, não tiveram a mesma sorte", conta o jornalista.
Sharkey explicou que as autoridades brasileiras continuam tentando entender o que de fato aconteceu e como. "Nosso pequeno jato conseguiu permanecer inteiro enquanto um 737 que é maior e cerca de três vezes mais pesado desabou com o nariz apontado para o chão", escreveu.
"Às 15h59 da última sexta, tudo o que pude ver e tudo o que eu sabia era que parte da asa não existia mais. Surpreendentemente, ninguém entrou em pânico. Os pilotos começaram calmamente a procurar o aeroporto mais próximo em seus mapas e controles".