A postura do prefeito de São Luís, Tadeu Palácio (PDT), em relação ao professores grevistas da rede municipal de ensino pode ser resumida em uma palavra: intransigência.
Parada desde o último dia 20 de setembro - há 16 dias, portanto -, a classe reivindica a volta da progressão do escalonamento, de 5 por cento para cada referência, alegando defasagem salarial. E com razão.
Em 2004, a diferença entre o salário do professor que ingressava na carreira (Nível 1) e o professor de Nível 4, por exemplo, era de 42 dois por cento. Hoje, caiu pela metade.
Há dois anos, quando precisou se reeleger, o pedetista prometeu sentar-se à mesa de discussões com os professores e trabalhar para encontrar a melhor saída para o impasse. Garantiu que os líderes seriam recebidos amigavelmente. Ontem (5), mais uma vez, os professores viram os portões da Prefeitura Municipal sendo fechados em suas caras.
Representado pelo secretário de Educação, Moacir Feitosa, o prefeito tem se recusado a receber os professores para um diálogo. Alega agenda cheia, outros compromissos.
Na verdade, Tadeu Palácio teme enfrentar os grevistas frente a frente. Sabe que tem contas a acertar com a categoria e que não pretende fazê-lo por já estar envolvido até o pescoço com o projeto político do seu aliado e líder Jackson Lago (PDT), candidato a governador pela coligação "Frente de Libertação do Maranhão".
Desde que viu implodir seu projeto de eleger a esposa, Vanilma "Tati" Palácio (PSDB), suplente de senador, o chefe do Executivo Municipal tem se empenhado na luta desesperada pela eleição do velho caudilho pedetista. Com isso, pensa ele, tem o caminho livre em 2008, quando poderá, então, indicar o seu candidato à sucessão municipal.
A atitude é bem parecida com a de outro aliado: o governador José Reinaldo (PSB). Este, também preocupado mais em manter-se à tona na política local do que com o comando do Estado propriamente dito, deixou há muito de primar pela administração do estadual.
Na relação com o professorado, as semelhanças são ainda maiores. Assim como Tadeu, o governador também acabou com a progressão dos educadores, sendo ainda mais cruel ao cortar-lhes, ainda, as gratificações. O detalhe é que, para isso, José Reinaldo contou com o apoio de alguns deputados, que para o grupo foram tragados a preço de ouro.
Nesse ponto, o prefeito é ainda pior. Age sozinho. Ou melhor, deixa de agir, sozinho. Intransigente, se nega a dar explicações. Adia, dia após dia, um encontro com os grevistas, que, inconformados, gastam o sebo que as canelas ainda possuem em manifestações e atos públicos sob o sol forte e o calor do centro da cidade.
Sentados nas calçadas da Praça dos Leões, esperam por uma resposta vinda de dentro do Palácio La Ravardiére. Sentado em sua confortável poltrona acolchoada, Tadeu quer mais é que peguem um ônibus e vão embora para suas casas. Se os rodoviários também não estiverem em greve.