Compra de votos
Esquema de corrupção
José Reinaldo liberou a aliados R$ 33 mi a 2 dias da eleição
O governador José Reinaldo Tavares pode até não ser um homem dado a honrar as relações de amizade, principalmente quando no meio dessas relações ele deixa que outras pessoas de baixo nível interfiram, mas é certo que ele cumpriu a promessa de interferir nas eleições deste ano usando, da forma mais despudorada e deslavada possível, a máquina do Governo do Estado para eleger o futuro governador Jackson Lago.
Além de ter promovido uma verdadeira caça às bruxas na administração estadual, perseguindo, removendo e demitindo servidores públicos, em criminosas ações que tantos prejuízos causaram ao interesse público, o governador voltou a abrir os cofres públicos para distribuir dinheiro a prefeitos identificados com a frente de partidos e de candidato que ele montou.
Nos últimos dois dias úteis que antecederam a eleição, José Reinaldo despejou mais de R$ 33 milhões em secretarias identificadas como participantes do grande esquema de corrupção que envolveu o pleito deste ano. Na última quinta-feira, dia 26, entretanto, a ação corrupta do governador se acentuou de forma exacerbada. O governador liberou, através da Secretaria de Fazenda do Estado, chefiada pelo seu fiel escudeiro Simão Cirineu, mais de R$ 18 milhões para várias prefeituras. O ato, publicado no Diário Oficial do Estado, generaliza a derrama de dinheiro público para os prefeitos corruptos aliados do governador. No quadro que deveria explicitar onde deveria ser investido o dinheiro, o "mágico" Simão Cirineu, a mando de seu chefe José Reinaldo, registra apenas que os recursos têm origem tributária e serão "distribuídos aos municípios".
Não há nenhuma dúvida que esses recursos, que atingem a cifra de R$ 18.409.105,00 (dezoito milhões, quatrocentos e nove mil e cento e cinco reais) serviram para alimentar a máquina da corrupção e a compra de votos.
Mais milhões
O crime contra os cofres públicos que vem sendo praticado por José Reinaldo e seus asseclas desde a descoberta do escândalo das estradas fantasmas teve, ainda no dia 26 de outubro, mais alguns lances. Outras liberações de verbas datadas desse dia totalizam mais três milhões de reais, sempre a título de crédito suplementar.
A maioria desses recursos é destinada a órgãos como a Secretaria de Saúde do Estado, cuja titular é a médica Helena Ferreira, mulher do deputado eleito Afonso Manoel. Ambos estão sob investigação pelo Ministério Público Eleitoral por abuso de poder e uso indevido da máquina administrativa do Estado em prol da candidatura dele. Afonso Manoel é um dos deputados estaduais que devem fidelidade canina ao governador José Reinaldo, e a Secretaria de Saúde foi um dos instrumentos mais utilizados pelo governador para praticar toda sorte de corrupção e manobrar para influenciar a eleição deste ano.
Corrupção ativa
O governador do Estado, que agora se vangloria de ter elegido seu candidato e beneficiário de todo esse esquema de corrupção e compra de voto, também deverá prestar contas à Justiça por mais esse ato insano. Só pra mostrar que não estava para brincadeira e que a derrota de Roseana Sarney teria que acontecer a qualquer custo, José Reinaldo voltou a abrir o cofre do Estado e despejou outra montanha de dinheiro público na campanha de Jackson Lago. Na sexta-feira, dia 27, a dois dias da eleição, José Reinaldo liberou exatos 10 milhões de reais para a famigerada Secretaria de Saúde, da dupla Helena-Afonso Manoel.
Ainda na sexta-feira, antevéspera do pleito, o governador destinou mais R$ 2.300.000,00 reais para secretarias estaduais, numa clara demonstração da sua disposição de corromper a eleição e influenciar no resultado.
Uma simples leitura dos atos publicados no Diário Oficial mostra que, nos últimos 40 dias, José Reinaldo liberou mais de 100 milhões de reais nas contas da Secretaria de Saúde. Em nenhum deles está especificado em quais rubricas o dinheiro seria usado. Todos os repasses foram feitos a título de crédito suplementar.
Jackson legitimou a corrupção
O objetivo de modificar o resultado do pleito, comprando votos de forma ensandecida, acabou tirando a legitimidade da vitória de Jackson Lago. O ex-prefeito e futuro governador foi o grande beneficiário dos atos de terrorismo explícito praticados pelo governador e seu séquito de ladravazes.
Para quem pregava práticas diferentes de fazer política que o próprio pedetista acusou José Reinaldo de usar no pleito de 2002, Jackson sai da eleição deste ano com sua biografia indelevelmente identificada com um governo cuja grande marca foi a da corrupção.
Jackson não só teve conhecimento de que o governador praticava toda a sorte de crimes contra o bolso do contribuinte maranhense e contra dos servidores estaduais que foram perseguidos, como avalizou esse procedimento. A compra de votos foi tão escancarada que em alguns municípios houve distribuição de dinheiro vivo para aliados do ex-prefeito. Em outros, o próprio futuro governador esteve envolvido, como no caso de Olinda Nova, onde o deputado Julião Amin é flagrado subornando o ex-prefeito Mimi Cutrim e apresentando como avalista o genro de Jackson Lago, o empresário Júlio Noronha.
Jackson Lago sabia de tudo e é cúmplice de José Reinaldo nesse grande escândalo de compra de votos em todo o Maranhão.