A Organização Mundial da Saúde (OMS) quer avaliar a vulnerabilidade do sistema de saúde do Brasil quanto à corrupção. O projeto faz parte de uma iniciativa da agência da ONU para atacar a corrupção que afeta os sistemas de saúde em todo o mundo. A OMS estima que 25% dos remédios comprados por governos em várias regiões do mundo são alvos de fraudes em um mercado estimado em US$ 50 bilhões por ano.
A entidade já fez levantamentos em nove países asiáticos e ontem lançou uma iniciativa global para ajudar os países a combater a corrupção. Os dados são alarmantes: no Camboja, 5% do orçamento do Ministério da Saúde é perdido em corrupção; 60% dos remédios adquiridos pelo governo em Uganda não chegam aos hospitais sem que passem por um esquema de corrupção. Nos EUA, US$ 23 bilhões são perdidos por ano em fraudes na área da Saúde.
O primeiro passo será implementar o mecanismo no Brasil e em outros países das Américas. A decisão foi tomada em Genebra nesta semana por técnicos que negociarão com o governo brasileiro a forma pela qual a avaliação será feita.
“Nenhum país deveria se sentir constrangido em falar desse tema”, afirmou Hans Hogerzeil, diretor da OMS para políticas de medicamentos.