Por Gilberto Léda
Editoria de Política
Assembléia
Reeleição mais distante
Rejeição de PEC enfraquece João Evangelista na disputa
A rejeição da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que criaria o Orçamento Impositivo no Maranhão, idealizada pelo deputado Arnaldo Melo (PSDB) e votada na manhã da última quarta-feira (8), além de impor barreiras à soberania do Legislativo em relação ao Governo do Estado, enfraqueceu sobremaneira o presidente da Casa, deputado João Evangelista (PSDB).
Candidato declarado à reeleição, Evangelista omitiu-se de conduzir a votação e permitiu que a PEC fosse reprovada com apenas sete votos contrários - apesar dos 24 votos a favor -, já que o Regimento Interno exige 25 votos para a aprovação de matérias dessa natureza.
Caso fosse aprovada, a proposta do tucano viabilizaria a criação do chamado Orçamento Impositivo. Com essa ferramenta, os deputados garantiriam aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, com todas as emendas propostas, sem a possibilidade de vetos pelo governador, ao contrário do que ocorre hoje.
Entre os deputados, o clima ontem (9) era de reprovação e críticas à postura adotada pela Mesa Diretora, reflexo direto da atitude de Evangelista, que, assim, buscou proteger o governador eleito, Jackson Lago (PDT).
Para a grande maioria dos parlamentares, Evangelista deu mostras de que pretende, se reeleito, manter-se atrelado e submisso ao novo Governo, da mesma forma como se portou em relação à administração de José Reinaldo (PSB) - o corte de cargos e estrutura dos deputados também pesa contra o tucano.
Arnaldo Melo destacou que, ano que vem, tentará mais uma vez aprovar a PEC. "Ano que vem eu irei propor a aprovação da matéria mais uma vez", destacou. Na Comissão de Constituição e Justiça e Redação Final, a proposta já havia recebido parecer favorável do pedetista Mauro Bezerra.
Enfraquecimento
O enfraquecimento de Evangelista, que perdeu pontos importantes entre os colegas, promete dar novos rumos à disputa pela presidência da Casa. Na esteira do grande problema que arrumou para a sua candidatura, o tucano verá crescer as possibilidades de eleição de figuras com a deputada Graça Paz (PDT), Soliney Silva (PSDB), Carlos Braide (PDT), Rigo Teles e do próprio Arnaldo Melo.
A pedetista tem a força do apoio do marido, o ex-deputado Clodomir Paz. Um dos principais aliados de Jackson, ele deve conduzir a discussão dentro do PDT para a indicação da esposa como candidata. Para o novo governador, essa seria a opção mais viável.
Soliney Silva surge com prestígio entre os deputados. Desde o início do ano, o parlamentar vem "costurando" uma política de bons relacionamentos entre os colegas, além de ser o baluarte de uma campanha ainda silenciosa - mas que pode estourar a qualquer momento - contra os gastos milionários da Assembléia Legislativa com a construção da nova sede, no Calhau.
Para Braide, a grande vantagem é o respaldo que tem entre os parlamentares. Líder do governo, o pedetista é reconhecidamente um nome em quem os deputados podem confiar para encampar a luta pela defesa do fortalecimento do mandato parlamentar.
O próprio autor da PEC rejeitada, Arnaldo Melo, também figura como candidato, assim como Rigo Telles. Se o primeiro confia na experiência como deputado, Telles tem como grande vantagem o fato de poder transitar entre as duas alas, a governista e a de oposição.
Aliado do governador José Reinaldo, o tucano tem na figura do pai, o prefeito Nenzim, de Barra do Corda, aquele que pode ser o fiel da balança a seu favor. Isso porque Nenzim apoiou Roseana Sarney (PFL) nas últimas eleições e pode se transformar no interlocutor do parlamentar para viabilizar a sua aceitação pelo grupo de oposição, transformando-se num candidato de consenso.