A divulgação dos arquivos secretos da chefe da Secom, Flávia Regina, causou reações inusitadas entre a imprensa. Uma delas foi a divulgação de uma nota de repúdio assinada por jornalistas - muitos deles integrantes da lista de "cachês", ou "mensalão da Secom", como se convencionou chamar o escândalo - contra a série de matérias publicadas por Veja Agora desde o último dia 5 de novembro.
O que mais chamou a atenção na nota foi o aparecimento das assinaturas de duas assessoras de comunicação de órgãos que, em última análise, são responsáveis pela apuração devida dos fatos: Danielle Cavangnac, assessora do Tribunal Regional Eleitoral (TRE); e Wal Oliveira, assessora do Ministério Público do Estado.
A primeira representa o órgão onde se encontra o processo - protocolado pelo advogado Marcos Lobo, sob número 3303 - Classe 13/2006, cujo relator é o desembargador Raymundo Liciano de Carvalho, muito conhecido da assessora - e, ao invés de repudiar as matérias deste matutino deveria, isto sim, como assessora do TRE, auxiliar nossa reportagem na apuração dos fatos.
O caso da jornalista Wal Oliveira é tão estarrecedor quanto o primeiro. Além de representar o MP - que também deve se dedicar a investigações das denúncias de improbidade administrativa aqui publicadas - ela é, também, presidente da AMI (Associação Maranhense de Imprensa) e, portanto, deveria estar de prontidão para defender Veja Agora (que representa a imprensa no caso) e não a secretária de Comunicação Flávia Regina.
Num, como noutro, o que se percebe é a formação de uma rede pelos amilhados para desqualificar as denúncias aqui veiculadas e manter a imagem de boa moça que a secretária cultivou ao longo dos anos.