O governador José Reinaldo Tavares (PSB) e sua secretária de Comunicação, Flávia Regina, continuam calados sobre o escândalo do que se convencionou chamar de "mensalão da Secom". Flagrados com "a boca na botija" - para usar aqui o palavreado popular -, usando dinheiro dos contribuintes maranhenses para pagar "cachês" a jornalistas amilhados (palavra que pode ser perfeitamente substituída por "propina") em troca de notas e matérias de ataque à senadora Roseana Sarney, os dois se negam a dar qualquer declaração a respeito.
Pelo menos oficialmente. Nos bastidores, informações dão conta de que a chefe da pasta anda danada da vida com Veja Agora, e com todos os que fazem menção ao esquema em suas colunas ou blogues, a quem atribui o título de "jornalistas cínicos e levianos" - para usar aqui trecho de carta da própria Flávia Regina ao jornalista Walter Rodrigues.
Mas qual será o conceito de cinismo de leviandade da secretária? Também será difícil aos maranhenses saber, porque também isso ela não explicou.
Para Veja Agora, cinismo em jornalismo é posar de bom moço (ou boa moça), quando, na verdade, utiliza-se da boa-fé dos leitores e eleitores para usá-los como mola propulsora de uma campanha de difamação das mais cruéis já vistas em todo o estado.
Cinismo é apoderar-se do que é público para favorecer apenas um pequeno grupo de "aliados" - para não dizer subservientes -, em prol de um jogo político mesquinho, assaz maquiavélico, que torra milhões todos os meses com jogadas ilegais, amorais e inconstitucionais, sem levar em conta a falta que esse dinheiro faz em escolas, postos de saúde, hospitais, no campo.
Para nós, cínico é quem usa da influência entre os colegas de profissão para tentar desqualificar denúncias comprovadamente documentadas, ao invés de posicionar-se a respeito e esclarecer muitos fatos obscuros que ainda cercam o escândalo.
Nossos conceitos de leviano também parecem diferir dos de Flávia Regina. Segundo o dicionário Aurélio, leviandade tem a ver com imprudência, precipitação, falta de reflexão. De que lado, então, estão essas características? Do lado de quem, de posse dos "arquivos secretos", os vêm analisando há semanas, descobrindo e publicando, com detalhes, a montagem de todo o esquema? Não cremos.
Leviano é quem, sem dar qualquer resposta ao público, trata de encontrar meios - os mais escusos possíveis - para desqualificar as denúncias. Leviandade comete que, do conforto do seu gabinete, continua mandando notas e informações para os mesmos colegas pagos com o dinheiro dos maranhenses para tentar, agora, denegrir a imagem dos que revelaram as falcatruas.
Na edição de ontem (17), Veja Agora publicou mais uma contundente face do esquema: o uso desavergonhado da Secom para a produção de peças institucionais do partido do governador. De acordo com o que foi apurado, quando ainda pertencia ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), José Reinaldo usava, no mínimo com a conivência de Flávia Regina, a estrutura da Secretaria para produzir filmes de TV e spots de rádio do partido. Isso é ilegal.
Hoje (18), novas revelações. Os "arquivos secretos" mostram a secretária sugerindo a inclusão do radialista Gilberto Lima na "lista de cachês" e, mais tarde, o aparecimento do apresentador da Rádio Capital na lista de "mensaleiros". Isso amoral.
No entanto, se nossos conceitos sobre cinismo e leviandade estiverem errados e corretos forem os de Flávia Regina, faremos questão de, aos olhos dela, continuar sendo cínicos e levianos.