ARQUIVOS SECRETOS - Pagamento de cachês
Por: Gilberto Léda
Editoria de Política
Enquanto a secretária de Comunicação do Estado, Flávia Regina, insiste em permanecer calada sobre as denúncias do "mensalão da Secom" - seguindo o que parece ser uma determinação do governador José Reinaldo (PSB) - os arquivos secretos da Secom, desvendados em todas as suas nuances por Veja Agora, continuam fornecendo aos leitores ainda mais dados de como a estrutura do Governo do Estado foi usada para favorecer a eleição do ex-prefeito Jackson Lago (PDT).
A partir da análise de dois novos documentos em conjunto - ambos já haviam sido publicados por este matutino ou em blogues de jornalistas locais, mas separadamente - é possível divisar como o esquema de cooptação de jornalistas "aliados" para atacar a senadora Roseana Sarney nasceu dentro da Secom e foi executado a partir da liberação de recursos por parte do governador José Reinaldo Tavares (PSB).
O primeiro, intitulado "Planejamento Estratégico de Comunicação de Governo", com vinte páginas, traz uma recomendação, no mínimo, pitoresca. Sem meias palavras, a secretária ressalta a audiência dos programas da Rádio Mirante AM e a necessidade de "preencher lacunas" para combater o grupo Sarney e sugere a inclusão do apresentador Gilberto Lima (Rádio Capital), na "lista de 'cachês'".
"Na Rádio Capital, incluir o radialista Gilberto Lima, que já ocupa o horário, na lista de 'cachês' de apresentadores", diz o documento, datado de janeiro de 2005.
Curioso notar que em várias planilhas o nome do apresentador não aparecia. No entanto, em uma delas, intitulada "Detalhamento Orçamentário" - provavelmente já produzida após a recomendação expressa da chefe da Secom -, o nome de Lima aparece no tópico "III - Custos para Operacionalização do Sistema de Rádio do Governo".
Lá, está destacado, no ponto 8, o "Up Grade salarial na Rádio Capital: R$ 1.000,00 (Gilberto Lima)", que confirma a designação do funcionário para fazer parte da lista dos "mensalão" e o cumprimento do que já havia sido determinado, meses antes, pela secretária de José Reinaldo, como forma de fazer frente às denúncias de corrupção veiculadas diariamente contra o chefe do Executivo Estadual.