Lugar de boleiro é entre boleiros, longe da euforia pela liderança folgada e da cobrança de quem acha que o tetra virou obrigação após três vices seguidos. O São Paulo blindou seus jogadores para não deixar escapar pelos dedos o título que resta neste ano: o Brasileiro.
A couraça do São Paulo - segundo colocado no Paulista, na Libertadores e na Recopa Sul-Americana nesta temporada - foi moldada para que os jogadores tenham apenas uma preocupação: jogar futebol.
“Após a perda da Libertadores, só restava o Brasileiro. E existia pressão, gente querendo pregar crise, programa de TV exibindo caixão, essas babaquices... O planejamento e a estrutura do clube não deixaram o elenco se abalar”, disse o volante Josué, que exemplifica com a decisão de antecipar as concentrações para certas partidas.
Os cuidados do clube não se restringem ao pagamento em dia de salários e prêmios. Nos bastidores é que a blindagem é mais necessária. Nas viagens em vôos fretados, os atletas e a comissão técnica viajaram nas últimas fileiras dos aviões e dois seguranças marcavam uma “fronteira”, para impedir o assédio aos atletas.
No centro de treinamento, a política de preservação é mantida. No refeitório, por exemplo, a divisão é nítida: há mesas reservadas para uso exclusivo dos jogadores. Ao lado, o lugar para os integrantes da comissão técnica, que servem de anteparo para convidados e dirigentes, que almoçam na mesa próxima à sala de televisão.
“Na verdade, a gente sabe que jogador não gosta de ser incomodado. Eles [atletas] às vezes se constrangem. Isso é comum em boleiros, e essas medidas são para deixá-los à vontade”, comentou Lopes.