Quem não se lembra do caso da recém-nascida abandonada pela própria mãe nas proximidades do Hospital Materno Infantil, em janeiro deste ano? Com grande repercussão e horas depois de ser encontrada por um transeunte que passava no local, a polícia conseguiu identificar Valquíria Araújo do Nascimento como a mãe do bebê. Quatro dias depois do ocorrido, mostrando arrependimento, a jovem se apresentou à DPCA.
Ela disse que já tinha outros dois filhos, alegou problemas com o marido e não contava com o apoio da família, por isso não estava em condições de criar a menina, batizada de Nicole Caroline Araújo do Nascimento, atualmente com 10 meses. Na época do ocorrido, a criança foi encaminhada para um abrigo, mas no mês de setembro, após uma demanda judicial, Valquíria reconquistou a guarda da menina.
Entretanto, na tarde desta quinta-feira, dois meses depois, como se tivesse nascida marcada por um cruel destino, a menina morreu, segundo a mãe e o laudo do IML, tendo como causa mortis asfixia por afogamento. A mãe foi apresentada no plantão central, no 7º DP, no Turu. Em depoimento, ela explicou que banhava a menina na banheira, quando o outro filho, de três anos caiu, momento que deixou Nicole na banheira e correu para socorrer a outra criança. Quando retornou, o bebê estava se afogando.
No entanto, segundo Sandra Maria Silva, que integra o Conselho Tutelar da Cidade Operária, o caso ainda deve ser investigado com rigor. Ela esteve no Hospital da Criança e conversou com as duas pediatras que atenderam a criança, as quais contestaram a questão do afogamento e não encontraram água no pulmão da menina quando colocaram a sonda.
As pediatras - informou a conselheira - disseram e relataram à delegada, que havia sinais de suposta violência sexual, no ânus e vagina da criança, além dos hematomas nas costas, corpo e arranhões. No IML, estranhamente, nada do que foi relatado pelas pediatras foi confirmado. Por conta disso, ou seja, baseada no depoimento da mãe, laudo do IML e depoimentos de vizinhos, que atestaram a conduta de boa mãe de Valquíria, ela foi liberada.
A delegada encaminhou o caso para o 7º DP, no Turu, para a delegada Rosa Quaresma dar prosseguimento às investigações. Para a conselheira tutelar, ainda que não fosse constatada violência, aconteceu, no mínimo, a negligência por parte da mãe, que deixou a criança de 10 meses sozinha na banheira, por isso, ela não poderia ter sido liberada.