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Roberto Carlos fala sobre o fatídico lance na Copa e diz que é desrespeitado no Brasil



Data de Publicação: 21 de novembro de 2006
 
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DESABAFO - Lateral terá a sombra de Marcelo no Real Madrid

A contratação do lateral Marcelo, de 18 anos, faz pensar que o ciclo de Roberto Carlos, 33, está para acabar no Real Madrid. Mas não é isso que dizem os dirigentes do clube e o próprio jogador. Ontem, Roberto Carlos assinou a renovação de contrato com o clube merengue até junho de 2009 e, de acordo com o presidente Ramón Calderón, segue absoluto na posição.

Em entrevista, diretamente de Madri, Roberto Carlos conta que está feliz com a chegada de Marcelo, cria do Fluminense que já faz parte do grupo da Seleção Brasileira. Além de admitir que precisa de alguém para dividir a posição no time, o experiente jogador analisa diversos aspectos atuais e do futuro.

Sem rodeios, Roberto Carlos diz que a fase de espetáculos passou no Real Madrid, comenta sobre sua posição de liderança no clube e fala de seus planos para voltar ao Brasil. Como não poderia faltar, defende-se na "polêmica do meião", ocorrida na última Copa do Mundo.

Renovação

"Está tudo acertado. Além desta temporada, vou ficar por mais dois anos. Fico feliz por poder encerrar minha carreira européia no Real Madrid, clube que já defendo há dez anos. Houve desencontros na última semana, porque disseram que estava fechado e eu ainda não tinha assinado. Agora já está marcado e posso dizer que renovei."

Retorno

"Ainda penso em jogar no Brasil, em algum clube grande ou mesmo do interior. Gostaria que fosse no Santos, que é o meu time de coração. Mas ainda faltam mais de dois anos para decidir."

Marcelo no Real

"Gostei muito da contratação dele, porque finalmente vou ter alguém para jogar algumas partidas no meu lugar. Tenho mais de 560 jogos pelo Real Madrid e cento e tantos pela seleção. É jogo que não acaba mais! Vai ser legal ter ele aqui, não vou precisar atuar em tantos jogos."

Cansaço

"As coisas mudam com o passar do tempo. Fica difícil manter alto nível jogando em todas as partidas da temporada. É verdade que cobro menos faltas hoje, mas tem o Beckham, que é grande jogador e divide isso comigo. Se sinto algum tipo de dor? Não, não sinto dor nenhuma."

O que mudou

"Minha maior mudança foi, sem dúvida, no senso de marcação. Hoje me posiciono muito melhor na parte defensiva do que fazia quando cheguei ao clube."

As chances do Real

"Estamos acertando o time aos poucos. Acho que vamos brigar tanto pelo título do Campeonato Espanhol quanto da Champions (Liga dos Campeões). Mas não vamos ser brilhantes, não. Vamos jogar no estilo italiano, com muita disciplina defensiva e saindo na boa para o ataque. A Itália jogou assim na Copa do Mundo e levou o título."

Cassano

"Ele é assim mesmo, meio nervoso. Uma vez, abandonou o treino porque todos ríamos quando ele chutava para fora. Na quarta vez, explodiu, mas depois ficou tudo bem. O problema que teve com o Capello (técnico do Real) foi porque ficou 45 minutos se aquecendo e não entrou no jogo. Fui eu quem pediu ao presidente (Ramón Calderón) para perdoá-lo e trazê-lo de volta para o grupo. Sou o terceiro capitão do time, os outros dois são o Raul e o Guti. Pedi por ele porque é muito chato ver um companheiro treinando sozinho. Fiquei feliz porque já está de novo com a gente."

Ronaldo

"Ele está bem, não se abalou com esta nova lesão, não. Tenho certeza de que, assim que o joelho parar de doer, vai voltar a fazer gols e ajudar o Real Madrid."

Despedida

"Rapaz, você me pegou de surpresa nessa. O Cafu quer? Sinceramente, nunca pensei nisso. Não sei o que dizer. Se receber um convite? Aceitarei sim, com o maior prazer."

O meião

"Isso é invenção de pessoas que precisam arrumar um culpado. É pura invenção, uma forma que arrumaram de justificar todos os problemas que a seleção teve na Copa. Que problemas? Não consegui jogar bem. Fiquei naquela posição, daquele jeito, durante a Copa inteira, e ninguém falou nada. Na hora que saiu o gol e a gente perdeu, a culpa foi minha.

Aconteceu a mesma coisa em 1998, também fui o culpado por aquela derrota. Mais que o Ronaldo, sim, nem compare o que acontece comigo ao que acontece com ele. Acho que isso tudo é inveja das pessoas, que me vêem com uma carreira vitoriosa, num grande clube, e acabam falando mal de mim. Tem gente que faz perseguição mesmo. Não tolero quem não sabe separar o jogador Roberto Carlos da minha vida pessoal. Sou muito mais respeitado na Espanha do que no Brasil. Não deveria ser assim."

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