Governador eleito já é refém dos aliados de José Reinaldo
No Pelourinho
Vítima do esquema que o elegeu
O governador Jackson Lago teria viajado para a cidade de Campos do Jordão não somente para descansar, mas para, também, fugir das pressões que vem sendo alvo desde que se elegeu governador à custa da poderosa máquina de corrupção governista comandada por José Reinaldo e coordenada a partir da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado.
A voracidade com que os aliados José Reinaldo, Vidigal, Aderson Lago, Domingos Dutra e outros "líderes" da Frente da Traição se atiram em busca de cargos no futuro governo vem obrigando o governador eleito a adiar seu retorno ao Maranhão. Todos se julgam credores junto à vitória do governador do PDT e proclamam aos quatro cantos do estado que sem o apoio de cada um deles a derrota de Jackson seria inevitável. E, desavergonhadamente, apresentam a fatura. Segundo o que corre nos bastidores políticos, José Reinaldo e seus amigos querem se perpetuar em alguns cargos como forma de se blindarem para uma futura ação da Justiça. O governador em fim de mandato já teria exigido de Jackson a permanência de Helena Duailibe na pasta da Saúde e de Ney Bello, na Secretaria de Infra-Estrutura. A outra opção para a Saúde seria a médica Cleide Coutinho, mulher do prefeito de Caxias, Humberto Coutinho. O prefeito relutou muito em apoiar Jackson e só decidiu ficar de seu lado na última hora. A presença de Cleide Coutinho na saúde significa, sob o ponto de vista dos prefeitos aliados, a permanência dos convênios fraudulentos.
Coincidentemente, as duas pastas foram as mais usadas pelo governador para abastecer com recursos públicos as campanhas de Jackson, Vidigal e Aderson Lago. A manutenção dos dois em suas pastas seria, também, a manutenção dos esquemas com os prefeitos e deputados aliados. Suspeita-se que mais de R$ 1 bilhão teriam sido desviados dos cofres públicos e gastos nas três campanhas dos candidatos reinaldistas e na montagem do esquema de José Reinaldo e a secretária Flávia Regina para atacar Sarney e eleger Jackson.
Refém dos frentistas
Para ninguém é segredo que Jackson Lago jamais teve boas relações com seus aliados de ocasião. Do próprio José Reinaldo, o futuro governador foi alvo permanente de atos que o colocavam numa posição inferior. Zé Reinaldo o via como um político retrógrado, rabugento e ultrapassado. Jackson, por sua vez, nunca confiou em José Reinaldo e hoje mal o atura. Mas sabe que se o governador abrir a boca e confessar o que fez para elegê-lo, Jackson fica sem mandato. Jackson virou refém do maior corrupto do Maranhão.
Mas não é só de Zé Reinaldo e dos prefeitos que Jackson é refém. O ex-ministro Edison Vidigal, que é mais um laranja da Pública, conforme confessou o marqueteiro Antonio Melo, também quer seu quinhão no bolo pedetista e cobra a fatura indicando ninguém menos que sua mulher, Eurídice Vidigal, para a Secretaria de Segurança. Vidigal quer permanecer no Maranhão e fazer sua política tupiniquim em Caxias. Mas para isso Eurídice teria que ter um cargo no primeiro escalão para poder deixar o Conselho Nacional de Justiça, onde trabalha em Brasília.
O terceiro frentista do consórcio reinaldista é o mais explícito dos laranjas criados pelos marqueteiros da pública. Ele atende pelo nome de Aderson Lago, é primo do governador eleito, mas jamais privou de sua amizade. Ao contrário, ambos tinham bons motivos para se estranharem. Mas Aderson, agora, também se julga credor e sua fatura cobra nada menos que a Casa Civil. Ou seja, o tucano quer mandar na estrutura de poder do futuro governo.
Essa pasta é tradicionalmente destinada ao político mais próximo do governador e o PDT já disse que não abre mão da pasta, que deverá ter no seu comando o deputado estadual Mauro Bezerra, que é um dos homens mais poderosos da legenda e ocupou a pasta nas administrações de Jackson na Prefeitura de São Luís.
Prefeitos querem seu quinhão
A fatura da montagem do esquema de compra de apoio de parte do governador José Reinaldo Tavares para favorecer a candidatura de Jackson Lago ainda não está de todo quitada junto aos prefeitos.
Engana-se quem pensa que os prefeitos Cleomar Tema (Tuntum), Humberto Coutinho (Caxias), Luís Osmani (Lago da Pedra) e Biné Figueiredo (Codó), só para ficar em alguns peixes graúdos do revolto mar jaquista, ficarão contentes com o que lhes foi repassado por José Reinaldo. Eles querem cargos e mais verbas. Humberto Coutinho, por exemplo, um político inexpressivo e acomodado quer nada mais nada menos que uma vaga no Senado e a poderosa Secretaria de Saúde para sua mulher, a deputada eleita Cleide Coutinho. Osmani quer a Famem e uma vaga na Assembléia para, Mauro Jorge, um aliado que não se elegeu. Biné Figueiredo quer a presidência da Assembléia para o filho, Camilo. E atual presidente da Famem, Cleomar Tema, quer cargos e mais verbas.
Assim é que Aziz e Mauro terão que usar muito a cabeça para não parecer que o futuro governo venha a ser uma cópia autêntica do atual. Se isso acontecer, Jackson já pode mandar confeccionar sua mortalha política, pois seu governo será apenas mais um governo corrupto e sua trajetória política estará inevitavelmente sepultada.