Os moradores da pequena Sinop, cidade de 120 mil habitantes no interior do Mato Grosso, estão magoados com Rogério Ceni. Revelado pelo clube que leva o nome do município, o goleiro ignorou o início da carreira na comemoração do título brasileiro pelo São Paulo, no último domingo, ao dizer que a camisa tricolor é a única que vestiu na carreira.
Um dos maiores orgulhos dos cidadãos locais e, principalmente, dos torcedores e dirigentes do Sinop Esporte Clube é justamente o fato de o principal goleiro em atividade no país ter vestido a camisa do time do interior matogrossense.
- Ele se esqueceu do seu princípio. Muito do que conseguiu foi por causa do Sinop. Ele era o quarto goleiro. Conseguiu uma oportunidade porque um se machucou, o outro estava suspenso... Aí, nos três últimos jogos do campeonato, consagrou-se e o Sinop foi campeão - conta o presidente do clube, Claudemir Milanski, lembrando a conquista do Campeonato Matogrossense de 1990.
Logo depois do título citado pelo dirigente, Ceni, então com 17 anos, mas já atuando entre os profissionais, transferiu-se para os juniores do São Paulo. O sucesso do goleiro-artilheiro deixa os matogrossenses orgulhosos, mas a falta de recíproca faz com que o orgulho fique mais ferido a cada dia.
- Quando ele vem a Sinop, mal passa na cidade, vai diretamente para a fazenda dele, que fica a uns 40 quilômetros daqui. Lá, só recebe personalidades. O povo torce muito pelo sucesso do Rogério, mas ele nem dá bola - lamenta Ademar Schinnato, que era o presidente do Sinop na época em que Rogério surgiu.