Nunca o ex-procurador-geral de Justiça do Maranhão, Raimundo Nonato de Carvalho, foi tão ágil em promover uma ação contra uma parte. No dia 16 de setembro Veja Agora, em editorial, analisou a disputa que se trava em torno da vaga do colégio de desembargadores destinada ao quinto constitucional que destina uma das vagas, alternadamente, para o Ministério Público Estadual e para a Ordem dos Advogados do Brasil.
Na oportunidade, todos os setores envolvidos na questão acreditavam que a vaga estaria destinada ao procurador Raimundo Nonato de Carvalho.
Na ocasião, este jornal fez algumas considerações ao comportamento do ex-procurador durante seu mandato. Como detentor de cargo público e pago com recursos do povo do Maranhão, Raimundo Nonato de Carvalho Filho não está isento de críticas da imprensa, por mais duras que elas possam ser. E nosso editorial não extrapolou os limites da crítica nem infringiu o código de leis que regulamenta a liberdade de imprensa. Aqui também não se questionou a conduta do cidadão, mas se fez uma crítica à demora da adoção de medidas, pelo Ministério Público, contra o governador José Reinaldo, sua mulher Alexandra Miguel Tavares e vários secretários de governo na atual administração, em casos de denúncias de malversação do dinheiro público e que até hoje muitas sequer foram apuradas e outras, andam a passo de cágado.
O procurador, que se diz vítima de calúnia, não pretende restabelecer o quê, na sua ótica, teria sido supostamente denegrido por este matutino. Em momento algum o procurador, em se sentindo ofendido, enviou comunicado a Veja Agora pedindo retificação da matéria. Nem mesmo usou seu direito constitucional de resposta para se defender.
Na ação que abriu contra o jornal Veja Agora, Carvalho Filho não se move pelos interesses da defesa de sua verdade, seja ela qual for. O que ele pretende é calar o único veículo de comunicação que firmou trincheira em defesa dos interesses do Maranhão e de seu povo contra um governo cuja fama é a de ser o mais desonesto de toda a nossa história. O promotor, que jamais se reportou a Veja Agora para esclarecer as dezenas, talvez centenas de citações que mereceu neste matutino cobrando uma investigação enérgica sobre fatos comprovadamente ilícitos praticados pelo Governo do Estado, seja através de seus prepostos, seja através do próprio governador, agora se apressa em dar a resposta, na Justiça, aos reclamos de Veja Agora sobre a forma com que conduziu o Ministério Público.
A imprensa, num país livre e soberano como o nosso, não pode ser alvo de ações que visem silenciar-lhe. O procurador tem contas a prestar para a sociedade e não pode ficar num pedestal imune às críticas. Enquanto não houver uma imprensa livre não estará consolidado o processo democrático no Brasil.
A sociedade tem seus próprios instrumentos para punir os veículos de comunicação que, na visão dessa mesma sociedade, extrapolem os limites da ética e da liberdade de informação. Não é essa a primeira tentativa de calar Veja Agora e, com certeza, não será a última. Mas não nos intimidarão. Enquanto aqueles que são os responsáveis pela fiscalização dos poderes acreditarem que a melhor forma de cumprir seu papel é calando as vozes da oposição, muito, então, ainda há se ser feito em defesa das liberdades democráticas e o papel da imprensa vai continuar sendo importante demais para ser silenciado.