Apesar das constantes viagens para fugir do que, em tese, são problemas criados por ele mesmo, o ex-prefeito e governador eleito Jackson Lago (PDT), não pode fugir às responsabilidades. Logo, logo retornará de São Paulo - para onde rumou depois que os "aliados" o pressionaram mais uma vez, em Brasília, por cargos no primeiro escalão do novo Governo - e terá de enfrentar a dura realidade: o fato de que não pertence a um grupo político, mas, antes, está entre um amontoado de políticos, todos com interesses próprios e ávidos por uma boquinha (ou uma bocarra) tão logo chegue janeiro.
Um dos exemplos mais claros disso é o imbróglio em que se transformou a questão da definição do novo chefe da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Na última sexta-feira (23), fontes governistas garantiram que o governador eleito pretende encaminhar mensagem à Assembléia Legislativa sugerindo a aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que diminua dos atuais trinta anos a idade mínima exigida para que um cidadão, de notório saber jurídico, assuma o cargo de procurador-geral do Estado.
A medida, continua nosso interlocutor, visa a disponibilizar meios para que Jackson Lago nomeie para o posto o advogado Daniel Leite, de apenas 27 anos, que prestou serviços para coligação "Frente de Libertação do Maranhão" durante a campanha eleitoral deste ano.
O problema é que os procuradores de carreira não estão gostando nada da história. Muitos dos mais experientes na área não concordam com a nomeação "desse rapaz", como se referiu ao advogado um dos procuradores que conversou com Veja Agora, o que gerou clima de insatisfação geral na PGE. E a situação só piorou depois que Leite foi levado por governistas para conhecer todas as dependências da Procuradoria. Para nossa fonte entre os procuradores, isso é indício claro de que a indicação do advogado está mesmo nos planos do novo governador.
Em última análise, o fato revela o grau de envolvimento do pedetista com aqueles que deram sustentação à sua campanha e, conseqüentemente, à sua vitória nas urnas no segundo turno das eleições maranhenses.
O comprometimento de Jackson Lago com o pagamento de dívidas de campanha - a qualquer custo, como nesse caso, quando o ex-prefeito quer, inclusive, mudar a Constituição Estadual para fazer valerem as benesses aos seus amigos e correligionários - é fator primordial para que se continue acreditando na inépcia do Governo do Estado.
Quanto mais se discute a formação na nova equipe de governo, mais surgem subsídios para o discurso dos que acreditam que a eleição de outubro foi comprada com o dinheiro dos impostos dos maranhenses e, portanto, o caudilho pedetista vai apenas continuar a levar a cabo os esquemas de corrupção já desenvolvidos e executados durante o governo de José Reinaldo (PSB).
E são poucos os que acreditam no contrário. Desde o início da campanha, sobravam indícios do envolvimento dos dois numa jogada para destruir a imagem da senadora Roseana Sarney, adversária de Jackson nas eleições, e, com certeza, não será agora que vão se separar. O novo governador vai, sim, cumprir com todos os acordos espúrios firmados com o grupo do atual chefe do Executivo Estadual e vai, sim, ser apenas a continuidade de um esquemão que fez soçobrar o Maranhão num mar de lama e corrupção.