O Tribunal Regional Eleitoral e a Procuradoria Eleitoral têm um árduo trabalho pela frente. O de dar uma resposta à sociedade sobre o escancarado abuso de poder econômico praticado por políticos de vários partidos, mas com destaque para os aliados do governador José Reinaldo Tavares, que prometeu com todas as letras usar a máquina administrativa do Estado para levar seu candidato Jackson Lago à vitória.
O abuso de poder econômico foi a ação mais evidenciada no pleito de outubro, tanto no primeiro turno quanto no segundo turno, quando as forças governistas se aliaram de forma escancarada para, usando o dinheiro do povo maranhense, corromper, aliciar e até ameaçar aqueles que se opunham ao projeto deles de vencer a eleição a qualquer preço, literalmente.
É preciso dar um basta a essas farsas comandadas pelos candidatos mais opulentos financeiramente, de gastar verdadeiras fortunas em suas campanhas, cujo dinheiro oriundo de caixa dois ou dos próprios cofres do Estado, e apresentarem prestações de contas que não resistem a uma análise ainda que superficial.
Beira o cinismo - e é aqui que se cobra todo o rigor do Tribunal Regional Eleitoral e do MPE - o que alguns candidatos governistas estão fazendo e a sociedade não pode mais ser enganada enquanto todos fingem que nada está acontecendo. Candidatos como Carlos Brandão e Afonso Manoel mostraram despesas irrisórias diante das miliardárias campanhas que fizeram para se eleger. São casos lapidares desses verdadeiros escândalos de contas subfaturadas.
Mesmo sendo um dos herdeiros de um verdadeiro império no setor de supermercado, Afonso Manoel jamais colocou a mão no bolso para gastar seu próprio dinheiro em campanhas anteriores, e sua melhor performance eleitoral, em 2002, não passou de uma quarta suplência. Na campanha deste ano, aliado do governador José Reinaldo e tendo a sua mulher entronizada na mais cobiçada pasta da administração estadual - a famigerada Secretaria de Saúde -, Afonso Manoel fez uma campanha como poucas vezes se viu no Maranhão. Usou a estrutura da secretaria comanda por sua mulher Helena Duailibe Ferreira e gastou muitos milhões de reais com aluguel de carros, distribuição de combustível e uma estratégia de marketing que o colocou como um dos programas de rádio e TV mais caros. Sua declaração de gastos entregue ao TSE soa como um escárnio para aquela Corte e como um deboche para os maranhenses.
Seu colega Carlos Brandão também seguiu pela mesma linha. Amigo próximo do governador e ex-secretário de José Reinaldo, Carlos Brandão fez uma campanha praticamente isolado. Não pediu votos nem mesmo para os três candidatos a governador apoiados pelo Palácio dos Leões. Montado numa poderosa estrutura de campanha, onde não faltaram dezenas de veículos, avião e farto material de propaganda, Brandão se elegeu usando a máquina do governo. Sua prestação de contas é um primor de mentiras, pois ainda que quisesse não poderia manter sua campanha a custa do valor declarado ao TRE, de irrisórios R$ 133 mil.
A sociedade não pode mais aceitar que os candidatos finjam que fizeram suas prestações de contas e o TRE finja que está tudo certo. Ou então decida que qualquer um pode gastar o que quiser e sem ter que dar satisfações à Justiça Eleitoral. Afinal, a lei existe para ser rigorosamente observada, sob pena de que os mais poderosos ganhem sempre as eleições e os mais fracos sejam meros coadjuvantes do processo democrático.