Por Gilberto Léda
Editoria de Política
Esquema
Eleição comprada
O marqueteiro Antônio Melo, da Pública - empresa contratada pelo governador José Reinaldo (PSB) para cuidar de sua imagem e, posteriormente, pelo PSB para trabalhar na campanha do ex-ministro Edison Vidigal -, confessou, em entrevista ao Jornal Pequeno, no último domingo (26), que houve envolvimento do Governo do Estado na campanha que elegeu o ex-prefeito Jackson Lago (PDT) governador do Maranhão.
Na entrevista, ele revela que a empresa de publicidade traçou algumas das estratégias - como a do lançamento de três candidaturas para disputar com a senadora Roseana Sarney - baseada em pesquisas contratadas a Örjan Olsen.
Segundo Melo, os números apurados no levantamento realizado pelo pesquisador foram analisados em reunião da qual participaram, além do publicitário e seu sócio, Elsinho Mouco, o prórpio Olsen e o governador José Reinaldo Tavares, o que, por si só, já é grande indício do envolvimento do Executivo Estadual na campanha eleitoral.
"Baseados em pesquisas do (Örjan) Olsen que apontavam Roseana então com 66 por cento das intenções de voto, foi feita uma análise com a presença do próprio Olsen, do governador José Reinaldo, do meu sócio Elsinho Mouco, e de Jaime Santana onde se concluiu que a estratégia da candidatura única beneficiaria a ex-governadora", disse o marqueteiro na entrevista.
Arquivos secretos
O detalhe mais sórdido, entretanto, é o fato de que, quando da divulgação dos arquivos secretos da Secretaria de Comunicação, chefiada pela jornalista Flávia Regina, já havia sido encontrado um documento no qual apareciam pagamentos a Örjan Olsen, por pesquisas.
De acordo com o documento, o Governo do Estado teria gastado R$ 53.555,00 com o pagamento da 2ª parcela do que está discriminado na planilha como "Pesquisa Olsen".
A discriminação é parte do item "Outras despesas" de um documento intitulado "Planilha - mês de setembro", datado de 2005. Em entrevista à revista Veja, há uma semana, Melo já havia afirmado que fora contratado por José Reinaldo em outubro de 2005, um mês depois de realizado o pagamento da segunda parcela da pesquisa.
Em última análise, a informação concedida pelo marqueteiro é mais uma prova do que os arquivos de Flávia Regina já deixaram evidentes: a utilização da máquina administrativa por José Reinaldo em favor dos seus aliados durante as eleições.