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A morte nos ronda



Data de Publicação: 29 de novembro de 2006
 
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"Maranhão é campeão de casos de câncer de pênis"; "Maranhão tem 1,42 caso de câncer por dia"; "Síndrome mata 29 no interior"; "Morcegos hematófagos matam 21 no sul do estado". As manchetes não fazem parte do que a secretária de Comunicação do governo de José Reinaldo, Flávia Regina chama de "jornalismo cínico" dos adversários. Aliás, jornalismo cínico, na cartilha de Flávia Regina é o de quem tem coragem de denunciar essas mazelas do seu patrão e não quem as comete, corrompe jornalistas venais e financia campanhas de difamação contra os adversários do governador e sua mulher, a impoluta Alexandra Miguel Tavares, a protetora de "Vinha".

Em que pese a Secretaria de Saúde do Estado, comandada pela médica Helena Duailibe Ferreira, ter sido o organismo estadual que mais se beneficiou de recursos públicos no governo, a saúde pública no Maranhão é um verdadeiro caos, no sentido mais amplo da palavra.

As manchetes acima não fazem parte de nenhum compêndio sobre a qualidade de vida e as medidas aplicadas para buscar solucionar os problemas dos maranhenses. Ao contrário, são notícias que foram extraídas dos jornais financiados com recursos públicos para elogiar o patrão da secretária de Comunicação.

Foram centenas de milhões de reais repassados para o setor de saúde do Estado. Só para a famigerada Organização Não-Governamental "Instituto Cidadania e Natureza", que administra os dois maiores hospitais do Maranhão - Hospital dos Servidores do Estado "Carlos Macieira" e a Maternidade "Marly Sarney" -, foram repassados mais de duzentos milhões de reais somente no ano de 2006. O quadro nessas instituições, entretanto, é aterrador. Salários em atraso, laboratórios sucateados, camas enferrujadas e profissionais descontentes que trabalham, em sua maioria esmagadora por salários aviltantes e somente duas ou três horas por dia são apenas alguns dos muitos problemas que afligem os pacientes que buscam socorro no Hospital do Ipem. Na Maternidade Marly Sarney, a situação não é muito diferente. As muitas cooperativas que atuam naquele hospital sugam o grosso do dinheiro destinado ao atendimento dos pacientes. Esse dinheiro vai parar nas mãos de espertalhões que fazem a compra superfaturada de medicamentos e material hospitalar.

No interior, a situação chega a ser desesperadora. A tal "procissão de ambulâncias" que se desloca para a capital, denunciada por Jackson Lago durante a campanha, decorre da falta de recursos dos hospitais regionais que o governador José Reinaldo e sua secretária de Saúde têm relegado àquelas casas de saúde.

Mas o fato mais humilhante, que tem sido ignorado olimpicamente pelo Ministério Público é o atendimento no Posto de Saúde "Dr. Genésio Rego". Ali, os pacientes chegam a dormir na calçada à espera de poder receber uma das cem senhas distribuídas para os milhares de cidadãos que para ali vão em busca de atendimento. É a gente simples do Maranhão que morre à míngua, porque faltam remédios, instalações dignas e até médicos, que recebem salários miseráveis e que, talvez por isso, estão sempre ausentes de seu local de trabalho.

Enquanto isso, o deputado eleito, Afonso Manuel, gastou milhões de reais para comprar sua eleição e continua a enganar a população com um discurso religioso que é tão mentiroso quanto o são verdadeiras as manchetes dos jornais amilhados que mostram que a saúde do povo do Maranhão está em coma.

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