Tensão
Bento XVI corre sério risco
O Papa Bento XVI iniciou sua visita à Turquia com uma mensagem de "irmandade" entre cristãos e muçulmanos, numa tentativa de reduzir as tensões criadas por seu polêmico discurso pronunciado em setembro que o Islã considerou ofensivo.
"Eu realmente queria vir à Turquia porque a Turquia se tornou uma ponte entre as religiões", disse Bento XVI ao primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que o recebeu no aeroporto de Ancara.
"Eu quero reiterar a solidariedade entre as culturas. Essa é a nossa missão", disse Bento XVI em sua primeira visita a um país muçulmano.
A recepção do primeiro-ministro ao Papa, logo ao pé da escada do avião, foi considerada um gesto diplomático positivo por parte do chefe de governo turco, que até o último momento se mantivera muito receoso a encontrar o líder católico pessoalmente.
Logo após a recepção ao Papa, Erdogan disse que Bento XVI teria lhe dito que apóia a entrada da Turquia na União Européia (UE). É uma mudança política importante, porque antes de assumir como Papa no ano passado Bento XVI afirmara que a religião muçulmana da Turquia significava que o país não se encaixava no bloco.
Ele também defendeu a paz mundial. "Sabemos por nossos trabalhos em favor de uma aliança de civilizações que esta visita, à qual concedemos importância, contribui para a paz mundial", declarou Erdogan.
A polêmica suscitada pelo discurso que Bento XVI pronunciou em Regensburg, na Alemanha, em setembro - citando Maomé e o Islã e considerado ofensivo pelo mundo muçulmano -, deram um outro sentido a essa viagem à Turquia. Na época, o premiê turco criticou as declarações do Papa sobre o Islã e o homem que tentou matar João Paulo II em 1981 advertiu ao novo Papa: "não vá à Turquia".