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Jornalista acusa Veja Agora: Ricardo desfaz equívocos



Data de Publicação: 7 de novembro de 2006
 
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Polêmica
Encarte e dossiê viram notícia

O jornalista Walter Rodrigues enviou carta a, segundo ele próprio diz, cerca de 200 pessoas, autorizando-as a reproduzirem o documento da maneira que acharem melhor. Na "Carta sobre Veja Agora e os arquivos da Secom", WR se diz surpreendido por duas publicações "desagradáveis" de Veja Agora.

A primeira publicação é uma carta que ele fez circular pela Internet para centenas de endereços, inclusive, para Veja Agora. O jornalista diz que este jornal tenta misturá-lo "aos que por ventura" tenham vendido suas consciências ao Governo do Maranhão, "mesmo sabendo que não participei de nenhuma campanha midiática orientada pelo Palácio dos Leões. E continua WR. "[Veja Agora] publica carta minha ao marqueteiro difamador numa página inteira, intitulando-a 'encarte especial' e acrescentando foto minha, de arquivo". E esclarece: "...não contratei nem autorizei nenhum encarte 'especial' ou não, no Veja Agora..."

O jornalista, que priva da amizade do deputado Ricardo Murad, dono deste matutino, diz ainda que foi insistentemente convidado a assumir responsabilidades no Veja Agora e que nunca hesitou na recusa, embora ressalve que não há de nenhum tipo de preconceito contra o jornal. WR diz ver "mais que simples coincidência que Veja Agora, no exato momento em que me lança na vala comum do aliciados (...) dê a entender que me encartei no diário de Ricardo Murad".

Em seguida, o autor da carta relaciona uma série de fatos sobre a inclusão duas vezes do seu nome na folha de pagamento da Secom e diz que já interpelou a secretária de Comunicação, Flávia Regina, considerando que apenas uma vez publicou em seu encarte do JP anúncio institucional do Governo do Estado. Ele diz que foi comunicado pelo próprio Ricardo Murad "e outra pessoa" que seu nome constava do dossiê da Secom.

Por fim, Walter Rodrigues diz ter sido convidado para integrar uma frente de oposição a Jackson e que não aceitou, embora sugira que tivesse recebido uma oferta pecuniária para integrar a tal frente, de cuja aceitação decorreria "a solução de seus problemas mais imediatos". WR avalia que não há diferença entre os grupos Sarney e Lago e daí a recusa.

As explicações
Em conversa, ontem, com jornalistas de Veja Agora, o deputado Ricardo Murad, principal acionista deste veículo de comunicação, esclareceu o que ele considerou "equívocos de Walter Rodrigues". Segundo Ricardo, não foi Veja Agora quem o incluiu entre os jornalistas que receberam verbas da Secretaria de Comunicação do Governo para hostilizar e difamar os senadores Roseana e José Sarney. "A mídia que recebemos em forma de CD traz o nome de Walter Rodrigues e ele aparece na reportagem junto com os demais para que fosse conferido ao documento a credibilidade, já que não seria ético alterar o documento", disse Ricardo. O deputado diz que "nós não quisemos misturá-lo a nada".

Veja Agora, ao contrário do que afirma o colunista, não tinha como saber se WR tinha ou não participado de campanha midiática do governo de José Reinaldo. Mesmo assim, o JVA não deu tratamento especial à questão, limitando-se a reproduzir o documento sem qualquer referência específica a WR.

A carta de WR publicada como encarte, no domingo, foi uma deferência especial do próprio Ricardo a um amigo. Enviada a Ricardo pela "segunda pessoa" citada por WR na nova carta distribuída à imprensa e a seus leitores, a primeira carta também foi enviada a Veja Agora, notoriamente um veículo de comunicação e que, assim sendo, sentiu-se livre para publicar, como bem conviesse, uma carta pública.

Veja Agora não quis "encartar" Walter Rodrigues. A tal primeira carta só foi publicada como encarte por decisão de Ricardo Murad, já que o jornal estava fechado e ele achou que dar publicidade à carta no domingo teria uma repercussão maior, já que a tiragem aos domingos é o dobro da tiragem nos dias úteis.

Publicar o documento como encarte não significa que o JVA quer "encartar" WR. Encarte, nas artes gráficas, segundo o Dicionário Aurélio, é a "operação de intercalar, entre os cadernos de uma publicação, uma ou mais folhas, em geral de cor diferente, e que constituem espécimes, avisos especiais, etc." Daí a chamada da primeira página referir-se a "encarte especial".

Convites
Ricardo Murad contestou, ainda, a declaração de WR sobre o suposto convite para que ele "assumisse responsabilidades" em Veja Agora. "O que houve foi que, quando ele deixou o antigo jornal onde ele encartava o Colunão, eu disse que Veja Agora estaria aberto para publicar seu encarte, o que ele recusou e eu aceitei suas explicações democraticamente", disse Ricardo.

O deputado foi taxativo ao dizer que jamais convidou WR para assumir quaisquer responsabilidades neste matutino. "Até porque não há responsabilidades aqui para que ele assuma. Temos uma equipe que funciona bem e não necessitamos de alguém para assumir qualquer responsabilidade aqui", explicou Ricardo.

Ricardo Murad disse ainda lastimar que Walter Rodrigues tivesse feito confusão sobre um convite para que integre uma frente de oposição com questões pecuniárias. "Frente de oposição se faz com idéias e não com dinheiro", encerrou.

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