O jornalista Walter Rodrigues encaminhou, no último domingo (5), tão logo leu a notícia publicada por Veja Agora, carta à secretária Flávia Regina cobrando explicações sobre o aparecimento de seu nome na lista de jornalistas "patrocinados" pelo Governo.
Na carta, ele relembra que assinou contrato com o Executivo para a publicação de material institucional, e que isso foi devidamente documentado e legalizado.
"Quando meu Colunão ainda circulava, tanto na fase de encarte autônomo do Jornal Pequeno, quanto na curta fase do vôo solo, mais de uma vez publiquei anúncios que me foram encaminhados pela Secom, vale dizer, por você. Anúncios perfeitamente caracterizados e posteriormente pagos à editora Visual, empresa do meu amigo Nelson Nogueira, representante comercial do semanário, com emissão da respectiva nota fiscal", diz o texto.
Rodrigues diz não entender, entretanto, o motivo de o seu nome aparecer uma segunda vez, o que faria "supor um pagamento a pessoa física".
Rogando até mesmo crueldade por parte da secretária - e que ela esqueça "qualquer consideração de amizade" -, o jornalista conclui pedindo que a verdade sobre o assunto lhe seja revelada em "todos os detalhes que forem necessários".
"Neste instante, e exclusivamente para os fins desta carta, por favor, esqueça qualquer consideração de amizade. Seja até cruel, se necessário, mas diga a verdade, e com todos os detalhes que forem necessários", finaliza.
A seguir, a íntegra da carta.
São Luís, 5 de novembro de 2006
Prezada Flávia Regina
Permita-me dispensar as formalidades, apesar da natureza do assunto em pauta.
Acabo de ler no Veja Agora deste domingo (5) matéria sobre arquivos supostamente capturados de seu computador pessoal. Um deles relaciona pagamentos efetuados pela Secretaria da Comunicação Social não só a veículos, mas também a jornalistas, num determinado mês. Meu nome aparece ali duas vezes, numa seção intitulada "Patrocínios". Na primeira, assim:
Colunão - R$ 4.000,00 - Walter Rodrigues.
Na segunda, apenas assim:
Walter Rodrigues - 5.000,00
Reproduzo como está. Meu nome é o único que aparece duas vezes. Na primeira, como diretor do semanário Colunão. Na outra, sem nenhuma explicação, fazendo supor um pagamento a pessoa física.
Quando meu Colunão ainda circulava, tanto na fase de encarte autônomo do Jornal Pequeno, quanto na curta fase do vôo solo, mais de uma vez publiquei anúncios que me foram encaminhados pela Secom, vale dizer, por você. Anúncios perfeitamente caracterizados e posteriormente pagos à editora Visual, empresa do meu amigo Nelson Nogueira, representante comercial do semanário, com emissão da respectiva nota fiscal. Não há, portanto, nada a estranhar que o Colunão conste de alguma planilha de custos mensais de publicidade.
Já a segunda referência não faz o menor sentido. Nunca recebi um centavo da Secom ou de qualquer outra repartição governamental a título de serviços prestados. Nunca lhes prestei serviço nenhum, nem jamais participei de nenhuma campanha midiática de construção ou desconstrução do que quer que seja.
Note que estou falando apenas em próprio nome. Não ignoro a existência de jornalistas que prestam "assessoria" clandestina (relativamente a seus leitores), assim como há jornais e outros segmentos da mídia cuja opinião oscila ou dá cambalhotas conforme a origem da receita. Que se danem. Não posso é ser misturado a esse tipo de gente, nem tampouco meu Colunão jamais se deixou influenciar pela publicidade. Nem sequer fui ou sou correligionário do governador José Reinaldo ou de seu candidato nas últimas eleições, assim como não me alisto entre os militantes do grupo da senadora Roseana Sarney ou qualquer outro. Disse-o com todas as letras, numa entrevista ao Chico Viana (TV São Luís), pouco depois do rompimento do meu contrato com o Jornal Pequeno - muito antes da confecção da planilha estampada em Veja Agora. Quando, por exceção, engajo-me temporariamente num movimento - como o da reeleição do presidente Lula - ajo às claras e nunca por dinheiro, que desse pecado estou em livre.
Conversamos umas poucas vezes durante a campanha, mas, assim como nunca lhe pedi um favor que fosse, apenas informações. Até mesmo quando anúncios publicados estavam com o pagamento em atraso, nunca lhe toquei no assunto. Tampouco você alguma vez me insinuou alguma intenção de influir na linha editorial do Colunão. Como é natural, sempre defendeu o Governo das críticas que eu porventura lhe fizesse, com a obrigação de secretária e a liberdade de amiga, mas sem jamais se afastar do respeito e da decência.
Diante do que, em meu próprio interesse e no interesse da opinião pública, solicito-lhe que me esclareça o que significa aquela segunda referência ao meu nome no arquivo publicado em Veja Agora, supondo-se que seja autêntico.
Neste instante, e exclusivamente para os fins desta carta, por favor, esqueça qualquer consideração de amizade. Seja até cruel, se necessário, mas diga a verdade, e com todos os detalhes que forem necessários.
Atenciosamente,
Walter Rodrigues