Quinze controladores de tráfego aéreo remanejados de outros Estados passaram a integrar a escala do Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), de Brasília (DF), a partir desta segunda-feira (6). Os profissionais estavam em treinamento de adaptação naquela unidade desde a semana passada.
De acordo com a Aeronáutica, o grupo deve ser dispensado apenas depois do efetivo normal do Cindacta 1 receber os até 60 controladores que deverão ser contratados temporariamente, por força de uma medida provisória publicada no "Diário Oficial" na última sexta-feira (3); e os 64 controladores civis que serão selecionados por meio de um concurso público promovido pela Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária).
O remanejamento de controladores de outros Estados para o Cindacta 1 é parte da força-tarefa elaborada pela Aeronáutica no último dia 2, início do feriado prolongado de Finados, para evitar que o sistema aéreo brasileiro entrasse em colapso.
Outra medida adotada para aumentar o número de profissionais em Brasília foi a suspensão de folgas e licenças médicas e a convocação de 11 militares da reserva.
Nos dias anteriores à implantação da força-tarefa, cerca de 20 controladores do Cindacta 1 pediram dispensa por problemas psicológicos.
Crise
Entre os últimos dias 27 de outubro e 3 de novembro, o tráfego aéreo nacional viveu dias de caos. O problema começou quando os controladores decidiram, por conta própria, restabelecer padrões internacionais de segurança à força. Eles foram motivados pela pressão feita sobre a categoria desde o acidente com o Boeing da Gol que matou 154 pessoas, em 29 de setembro.
Na chamada operação-padrão, eles elevaram a distância entre os aviões e reduziram para 14 o número de aeronaves vigiadas por cada um.
O resultado foi uma seqüência de atrasos e cancelamentos de vôos. Milhares de passageiros sofreram com esperas de até 20 horas e os prejuízos chegaram à rede hoteleira. Em resposta, a Aeronáutica elaborou a força-tarefa e irritou seus comandados.
O governo está dividido quanto à posição que deve adotar diante dos manifestantes. Enquanto o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, acusa o ministro da Defesa, Waldir Pires, de "incentivar a anarquia"; Pires negocia em moldes sindicais.