Por Gilberto Léda
Editoria de Política
Confirmado
Arquivo comprova uso da máquina
Governo usado como comitê de campanha de Jackson
As investigações constantes que Veja Agora tem feito nos arquivos secretos da secretária Flávia Regina revelaram, ontem (7), sem margem para dúvidas, que a estrutura do Governo do Estado foi utilizada em favor da campanha do ex-prefeito Jackson Lago (PDT).
Além do pagamento, com dinheiro da Secretaria de Comunicação (Secom), a jornalistas, profissionais da Comunicação em geral e veículos de imprensa, rádio e TV aliados - para a criação de uma rede de informação favorável ao pedetista e contrária à senadora Roseana, então candidata pelo PFL -, nossa equipe de reportagem descobriu que a pasta funcionou, na verdade, como comitê de campanha de Jackson Lago.
Com a conivência do governador José Reinaldo (PSB) - recentemente homenageado pelos seus partidários pela participação na vitória do pedetista -, a secretária Flávia Regina recebia publicitários da Pública em seu gabinete, utilizava a estrutura de computadores para a transmissão de informações e, ainda, auxiliava os marqueteiros na produção de estratégias para a disputa do segundo turno.
Isso é o que fica bem claro depois de se analisar o documento intitulado "Sugestões Estratégicas para eleições.doc". Arquivado em uma pasta de nome "Produções Especiais", o texto traz "sugestões estratégicas para o 2º turno das eleições 2006", com nove pontos que compuseram a tática governista para vencer o pleito de 29 de outubro.
No documento, fica bem claro o uso da máquina governista na campanha de Jackson Lago no período de 3 a 28 de outubro - exatamente o tempo de duração da campanha no segundo turno.
No ponto 3, por exemplo, Flávia destaca a importância da "definição de pautas semanais contra a candidatura de Roseana Sarney e a devida repercussão nas rádios, jornais e TVs aliados".
Mais à frente, no ponto 4, ela sugere reuniões com os jornalistas e radialistas "aliados". "Reuniões freqüentes com radialistas e jornalistas aliados para definição de temas", diz o texto da secretária.
Xô?
Os documentos da chefe da Secom mostram, também, que, longe de ser um movimento popular por natureza, a campanha "Xô", contra a senadora Roseana, no Maranhão, e o senador José Sarney (PMDB), no Amapá, foi antes uma iniciativa do governador José Reinaldo e bancada com recursos pagos pelos contribuintes maranhenses.
No ponto 8 da "estratégia", Flávia Regina destaca a importância de ampliar o "apoio ao Movimento Xô Roseana".
"Ampliar apoio ao Movimento Xô Roseana para criar clima de 'impeachment' de desenvolver ambiente favorável ao Voto de Mudança, um sentimento de 'Já Basta!'", afirma no documento.
Para dar vulto à "campanha" na capital foi que entraram em cena "O Imparcial" (cerca de R$ 200 mil por mês); "Jornal Pequeno" (R$ 160 mil mensais); Sistema Roberto Rocha (R$ 100 mil); Rádio Educadora (R$ 75 mil); e Rádio e TV São Luís (R$ 45,6 mil - entre TV, São Luís em Debate e radialistas).
Pagos com recursos dos cofres públicos, os "jornalistas aliados", como Flávia Regina se refere aos amilhados, seguiram à risca as "estratégias" boladas pela secretária, que, no afã de garantir a eleição do aliado do seu patrão, incorreu em crimes previstos pela própria Constituição Federal.
De acordo com a Carta Magna da Justiça brasileira, em seu artigo 37, inciso XXII, parágrafo 1º, "a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos".
O trabalho realizado pela Secom, como se observa com simples pesquisa nos arquivos, nem de longe e em nenhum momento, ateve-se ao que determina a Constituição. Até agora, a secretária continua calada sobre o assunto. Sua única declaração foi a de que pretende processar o jornalista Décio Sá, que publicou em seu blogue a planilha com os pagamentos efetuados pela Secom aos "jornalistas aliados".

