A Procuradoria Regional Eleitoral vem tendo uma atuação que merece aplausos da sociedade maranhense e dos segmentos que repudiam de forma veemente os desvios praticados por determinados políticos e grupos de poderosos que agem, julgando-se sempre acima da lei -, em completo desrespeito ao que determina a legislação eleitoral. O procurador Juracy Guimarães Júnior e seus adjuntos, José Leite Filho e Marcílio Nunes Medeiros dispõem de uma estrutura insignificante para atuar e um espaço de tempo insuficiente para analisar todos os processos que investigam o abuso de poder econômico.
Mesmo driblando todas as dificuldades, a má vontade de alguns setores e a manifesta intenção dos infratores de fugirem da punição, os três procuradores eleitorais têm dado demonstração de equilíbrio, correção e - o que é mais importante - isenção na análise das ações.
Embora seja apenas um dos muitos casos de cooptação ilegal de sufrágio e de recursos e abuso de poder econômico, os três casos contra o deputado eleito Afonso Manoel, já denunciado ao Tribunal Regional Eleitoral - TRE é a síntese do que foi feito nesta eleição por muitos - talvez, todos! -, candidatos apoiados pelo governador José Reinaldo Tavares, que prometeu publicamente usar a máquina administrativa do Estado para derrotar Roseana Sarney.
Afonso Manoel sempre teve um desempenho medíocre em todos os pleitos dos quais participou, inclusive como candidato a prefeito de São Luís, em 2000. No pleito de 2002, Afonso Manoel concorreu a uma vaga de deputado estadual pelo PFL, e teve 21.361, ficando apenas na 4ª suplência. Roseanista de carteirinha, o deputado é herdeiro de um poderoso grupo econômico, mas nunca exorbitou nos gastos para se eleger.
Desta feita, foi diferente. Sem ter que bancar um centavo do próprio bolso, Afonso Manoel fez da Secretaria de Saúde, dirigida pela sua mulher, Helena Duailibe, a fonte inesgotável de recursos que irrigaram uma campanha miliardária e marcada por desrespeito à lei. Para isso, o ex-roseanista foi cooptado por José Reinaldo para que se aliasse ao seu projeto de desmoralização do poder público. Afonso Manoel, para trair Roseana e ingressar no PSB de José Reinaldo, teve sua mulher mantida à frente da pasta da Saúde e garantias de que poderia usar livremente a máquina pública em seu favor. Logo instalou uma empresa insignificante para comandar dois dos maiores hospitais do Estado: O Hospital Dr. Carlos Macieira, conhecido como Hospital do Ipem, e a Maternidade Marly Sarney. Para essas duas instituições a mulher de Afonso Manuel liberou mais de R$ 200 milhões somente em 2006. Nesses dois hospitais, Afonso Manoel instalou cabides de empregos que rapidamente se transformaram em comitês eleitorais do candidato.
Além das duas ações movidas pela Procuradoria Eleitoral Regional que pedem a cassação de Afonso Manoel, há em curso um processo de investigação proposto pelo próprio promotor Juracy Guimarães Júnior, baseado exatamente no uso da máquina pelo candidato reinaldista.
É sobre a ação desses três respeitáveis procuradores federais é que repousam as esperanças da sociedade maranhense para que se dê um enérgico basta a esse desrespeito à vontade popular e ao equilíbrio do pleito. É sobre a integridade desses homens Juracy Guimarães Júnior, José Leite Filho e Marcílio Nunes Medeiros que o povo do Maranhão - e, principalmente, aos eleitores, que se espera que se faça Justiça e se puna, exemplarmente, todos os que, criminosamente, tentam ganhar um mandato eletivo.