A exemplo do que aconteceu no Congresso Nacional, onde sucessivos escândalos marcaram de forma indelével e profundamente negativa a atual legislatura daquele Poder, a Assembléia Legislativa do Maranhão também termina um mandato de quatro anos em franca decomposição. Foi, talvez, a pior representação maranhense no Palácio Manoel Beckman.
O episódio da votação do Projeto de Lei Orçamentário de 2007, votado ontem, de forma vergonhosa, mostra que o Legislativo estadual, somente para usar um termo chulo, mas muito comum entre os parlamentares de oposição, está acocorado para o Executivo. A supressão do direito inalienável dos parlamentares de sugerirem emendas de interesse público, numa ação desavergonhada e profundamente ditatorial, comandada com desvelo e extremada submissão pelo deputado Aderson Lago, é o triste réquiem de um conjunto de atitudes que desmoralizaram os deputados governistas, os oportunistas e até mesmo alguns que se proclamam oposição.
Com a ausência justificada da deputada Teresa Murad (PMDB), que acompanha sua genitora em uma viagem a São Paulo para um delicado tratamento de saúde, somente três deputados tiveram a coragem de enfrentar o rolo compressor que vem do Palácio dos Leões, a mando, naturalmente, do futuro governador Jackson Lago que sempre se disse contra esse tipo de atitude agora adotada por ex-adversários de José Reinaldo e que agora se submetem a seu açoite de forma mansa e ordeira. Além da deputada Helena Heluy (PT), que com sua habitual postura disse não a mais esse agachamento da Assembléia Legislativa, somente os deputados Max Barros (PFL) e Chico Gomes votaram contra o projeto do governador, inspirado pelo grupo de transição pedetista, que permite ao futuro governador manipular, livremente, até 50 por cento do orçamento do próximo ano. Os demais deputados presentes à sessão votaram de acordo com a vontade do novo patrão, o governador eleito Jackson Lago.
O futuro governador alega que com a extinção de quase duas dezenas de secretarias que compõem o inoperante e paquidérmico governo de José Reinaldo, será necessário que a futura administração possa remanejar as verbas destinadas a elas no orçamento original. Fosse verdade essa pretensão, seria natural que, primeiro, os subordinados ao governo votassem a reforma administrativa para, em seguida, fazerem os ajustes que se dizem imprescindíveis para o funcionamento da máquina do Estado.
Ao usar todo seu poder de per$ua$ão para cooptar os parlamentares em fim de mandato, o atual e o futuro governo mostram de forma inconteste que usam a mesma cartilha e que as práticas, continuarão as mesmas, desde que os objetivos a serem alcançados sejam os mesmos dos que transformaram o Poder Legislativo num agrupamento de parlamentares sem ideologias e que muitas vezes - e de forma criminosa - trocaram favores e cargos por votos.
O parlamento estadual maranhense vai entrar para a História como um grupo difuso, sem consonância com a sociedade e um plenário onde primeiro se negociam privilégios pessoais e só depois entram em discussões os reais interesses do Maranhão e do seu povo.
O agachamento moral da Assembléia Legislativa não nasceu na presente legislatura, mas cresceu fortemente depois que o governador José Reinaldo, às voltas com dezenas de denúncias de malversação do dinheiro público, promoveu um verdadeiro leilão de deputados e deputadas, cooptando-os para seu grupo, em troca de verbas públicas, empregos e obras em suas bases eleitorais. O agachamento de ontem é só mais um, na extensa lista de submissões de uma parcela de nossos deputados.