Ninguém consegue mais entender o mistério que envolve a divulgação da lista de nomes que devem compor o novo secretariado do Estado tão logo o governador eleito, Jackson Lago (PDT), tome posse, em janeiro de 2007.
Das duas uma: ou o ex-prefeito pretende passar a perna em todo o mundo que o apoiou e por isso quer ganhar tempo - o que é quase impossível, já que, se isso ocorrer, ele terá sérios problemas quando os "aliados" abrirem a boca -; ou quer simplesmente que a imprensa continue colocando em pauta o assunto, o que daria status de "pop stars" aos novos secretários, de tão cobiçados e disputados que foram os cargos.
De acordo com a análise dos que acompanham os bastidores da política local, a segunda opção é a mais aceita.
Senão vejamos: qual seria o sentido de esconder o jogo quando quase todo o mundo já sabe que Aziz Santos será o homem forte do governo, assumindo a Secretaria da Fazenda ou de Planejamento; que o deputado Aderson Lago (PSDB), indicado por colegas pedetistas e tucanos, deve mesmo assumir a Casa Civil; que o pedetista Clodomir Paz pode ter que se contentar com a Secretaria de Articulação Política; que a esposa de Edison Vidigal, Eurídice Vidigal, vai assumir a Secretaria de Segurança e Defesa Social; que Jorge Vieira já foi vetado na Secretaria de Comunicação e que só restam disputando o cargo o deputado Luiz Pedro (PDT) e o ex-assessor de comunicação da Prefeitura, Zeca Pinheiro?
Por que negar que Therezinha Fernandes (PT), que não conseguiu se reeleger para a Câmara Federal, está quase dentro da Secretaria da Mulher; que Tati Palácio será a dona do segundo cargo destinado ao lobby de Tadeu Palácio - o primeiro será o ocupado por Clodomir -; que o advogado Daniel Leite, será nomeado para a Procuradoria Geral do Estado?
Os nomes já são conhecidos de todos quantos acompanham o dia-a-dia da política maranhense e a previsibilidade da lista que deve ser apresentada, enfim, na semana que vem, segundo garantiu fonte do PDT ao nosso editor de política Gilberto Léda, deve-se, principalmente, ao fato de que os maranhenses já conhecem, também, o estilo Jackson de administrar.
Todos sabem que, com ele, não há espaço para novidades e que o governador eleito só confiará nos mesmos aliados dos tempos de Prefeitura e nos neo-aliados que se mostraram mais fiéis - e em ninguém mais - para levar à frente a continuação do projeto de poder iniciado por José Reinaldo (PSB), diga-se de passagem, baseado na compra de apoio político em troca de benefícios do governo.
Para Jackson, o que vale é a lealdade canina, a defesa - irresponsável, até - dos interesses do grupo, à custa do que preciso for, e é por isso que se torna tão fácil, para qualquer iniciante no campo político, acertar toda a lista a ser divulgada pelo ex-prefeito de São Luís.
Se não for assim, não é o mesmo Jackson que está no comando. E essa é outra característica difícil de ver no velhinho: ele não gosta de mudança, palavra que, aliás, tornou-se mero sinônimo para votos em seu vocabulário.