O juiz Douglas de Melo Martins tem se destacado nos meios jurídicos pela forma independente com que profere sentenças. Se continuar agindo com a correção e isenção com que se tem postado, em breve poderá estar no colégio de desembargadores do Tribunal de Justiça. Suas decisões, entretanto, têm desagradado a gregos e troianos. É de sua lavra a primeira sentença que proibiu a presença de parentes de prefeitos em cargos comissionados.
A concessão da medida liminar que determina que o governador José Reinaldo e o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, João Evangelista, determinem o imediato afastamento de todos os parentes do próprio governador, do vice, dos deputados e secretários que ocupam cargos de confiança, é, no mínimo, saneadora. Se já estivesse sendo posta em prática há pelo menos três anos, fatos criminosos como o escândalo das estradas fantasmas não teriam ocorrido, posto que entre os acusados estavam os membros do Comitê Gestor Financeiro do Estado, composto pelo próprio governador José Reinaldo, pela sua mulher, Alexandra Tavares e por uma filha do governador, Mila Tavares, além do cunhado do governador, João Cândido Dominici, então secretário de Infra-Estrutura.
Se, por um lado, a decisão impede que, principalmente os deputados, possam ter em seus gabinetes servidores de sua extrema confiança, ajudando-lhes a elaborar seus projetos políticos, que são pessoais, por outro interdita qualquer intenção de se criar, em órgãos públicos e companhias estatais, verdadeiras quadrilhas que se valem do parentesco para montar esquema de enriquecimento ilícito, além de impedir que outras pessoas, sem a menor capacidade gerencial, ocupem cargos que jamais poderiam assumir se fossem submetidas a concursos públicos.
Um caso modelar é o da ex-secretária de Solidariedade Humana, Alexandra Tavares, que ganhou o cargo apenas por ser a mulher do governador. Mais afeita às badalações, raves e faustosas farras no Palácio dos Leões, transformada, segundo o jornalista Lourival Bogéa, numa boate onde acontecia de (quase) tudo, Alexandra Tavares virou secretária porque o marido quis lhe dar um mimo do qual pudesse ocupar suas horas de ócio. Aeromoça de jatos executivos por formação, ela não tinha qualquer preparo para ocupar um cargo de tamanha relevância no Governo do Maranhão. Foi embora e ninguém sentiu sua falta no órgão.
Mas o maior estrago que a decisão do magistrado de Pedreiras provocou foi na montagem da equipe do futuro governador Jackson Lago. Portador de um discurso contrário à prática do nepotismo e feroz combatente do que ele chamava de "oligarquia", Jackson sempre manteve seus familiares em cargos gerenciais nas três vezes em que governou São Luís. As notícias de que preparava a montagem de sua própria oligarquia, esta sim, integrada por irmãos, filhos, primos, esposa e sobrinhos, tomaram de assalto o Estado nos últimos dias, todos esquecidos das promessas de campanha. Jackson teve sua pretensão de fazer do governo uma brincadeira entre parentes e amigos interrompida pelo meritíssimo senhor juiz Douglas de Melo Martins, que determinou que o futuro governador se abstenha de nomear seus parentes para cargos de confiança.
Alguns aliados do futuro governador já começam a ser usados para tentar desmoralizar a figura do ilustre magistrado, mas são pessoas cuja credibilidade não se sustenta e nem resiste à menor análise.
A decisão do juiz Douglas Martins deverá ser apreciada em várias instâncias, até chegar ao Supremo Tribunal Federal. Será de lá que virá o golpe mortal na oligarquia que os "libertadores" do Maranhão querem implantar em nosso estado. Quem viver, verá!