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Deputado Aderson Lago: o homem-bomba de Jackson



Data de Publicação: 24 de dezembro de 2006
 
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Por Gilberto Léda
Editoria de Política


"Espaçoso"
Tucano é foco de problemas

O deputado estadual Aderson Lago (PSDB) - sem mandato a partir de janeiro - é o que se pode chamar de um verdadeiro "homem-bomba".

Virtual secretário chefe da Casa Civil desde que começaram as especulações a respeito da equipe de governo do ex-prefeito Jackson Lago (PDT) - tendo "passado", antes, pela Secretaria de Educação -, o tucano está no centro de todos os principais problemas que o governador eleito tem enfrentado para definir o secretariado e, a continuar nesse ritmo, pode vir a se transformar no estopim de uma explosão que, dentre outras coisas, implodiria o novo governo.

Nesse quesito, a última semana foi emblemática e definidora de como as relações de Jackson com seus principais aliados podem ficar desgastadas se for mantida a presença do primo deputado como figura proeminente no novo governo.

Já dono da Casa Civil, Aderson foi o ponto central da principal grande crise de Lago. Desde o período eleitoral, segundo afirmam fontes pedetistas, o cargo estaria destinado ao ex-deputado e ex-secretário de Governo do prefeito Tadeu Palácio, Clodomir Paz.

Pelo acerto, a indicação seria uma espécie de prêmio pela lealdade de Clodomir, que, além de deixar seu posto no primeiro escalão da Prefeitura, teria desistido de se lançar candidato a deputado federal - com boas chances de se eleger - para coordenar a campanha de Jackson.

O "prêmio", entretanto, não veio e, ao invés de cativar um aliado, o governador eleito, na verdade, pode ter ganhado mais um desafeto, tudo por conta do espaço já tomado por Aderson.

Outro caso
Na esteira dos problemas com Clodomir Paz - que, segundo sua esposa, a deputada Graça Paz (PDT), já teria viajado em férias - Jackson Lago pode ter criado mais uma aresta nas suas bases. De acordo com o que foi apurado durante a semana, o ex-secretário de Comunicação da Prefeitura, Zeca Pinheiro, nome quase certo na Assessoria de Comunicação, chegou a pensar em não assumir o cargo.

E a lógica é simples: como a pasta continuará vinculada à Casa Civil, Pinheiro teria recuado de assumir o cargo em solidariedade a Clodomir. "Os dois eram colegas na Prefeitura e o Zeca [Pinheiro] não ia se sentir bem trabalhando com o Aderson Lago", declarou uma fonte pedetista a Veja Agora.

Dias depois, a informação não se confirmou, mas só os rumores já foram suficientes para estremecerem a equipe de transição, que voltou a cogitar o nome de Jorge Vieira - atual secretário de Comunicação da Assembléia - e a permanência do atual assessor de Imprensa, José Machado.

Processo
O terceiro problema ligado a Aderson ainda não está consolidado, mas, ainda assim, já se tornou motivo de dor de cabeça para Jackson Lago. Trata-se da decisão do juiz Douglas de Melo, da Comarca de Pedreiras.

Em medida liminar, que acatou Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), o juiz determinou que o governador José Reinaldo (PSB) e o presidente da Assembléia Legislativa, deputado João Evangelista (PSDB), exonerem, imediatamente, todos os parentes em cargos comissionados nos dois poderes. A decisão atinge, ainda, o pedetista, na medida em que, de antemão, já determina que ele se abstenha de nomear todos os seus parentes na próxima administração.

Em outras palavras, Jackson não poderá empregar no Estado o genro, Júlio Noronha - que já havia sido anunciado como Secretário de Indústria e Comércio; o irmão, Wagner Lago; a esposa, Clay Lago; a sobrinha, Cristina Moreira Lima; e - ele novamente - o deputado Aderson Lago.

No fim das contas, caso a decisão seja mesmo cumprida à risca, não seria necessários o acionamento de bomba tão destruidora a troco de nada. As estruturas da base governista, agora, estão frágeis. Resta saber quantas "bombas" mais serão necessárias para faze-la ruir.

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