Ação
Servidores denunciam desumanidades
Vários servidores do Partido Popular Socialista (PPS) entraram na Justiça do Trabalho para buscar direitos trabalhistas depois de anos de trabalho e na administração do partido comandado por Paulo Matos. Alguns conseguiram receber parte da dívida, outros tiveram que viajar sem receber quase nada e houve até um caso de um trabalhador que ficou com seqüelas mentais e psicológicas depois do conflito com o partido.

Joseléa Santiago, auxiliar de escritório que trabalhou no partido de 1998 até 2002, luta até hoje para receber as verbas rescisórias do seu contrato de trabalho. "O Paulo dizia que quem ia pagar era o Raimundo e o Raimundo dizia que quem ia pagar era o Paulo e ninguém resolvia. Eu não tive outra saída senão ir buscar socorro na Justiça do Trabalho", conta Léa Santiago. Eu ganhei, mas até hoje eles me devem, só me pagaram uma pequena parte dos meus direitos.
Léa Santiago conta que trabalhava no Diretório Regional e no Diretório Municipal, dava expediente integral que entrava pela noite, incluindo sábados, domingos e feriados. "Era uma verdadeira exploração, uma situação de escravo que eu não agüentei mais", explica a trabalhadora. Segundo ela, a maneira como Paulo Matos e Raimundo Filho tratam os trabalhadores do PPS é desumana e vai totalmente de encontro à filosofia do PPS, um partido socialista que nasceu do comunismo, exatamente para combater a exploração da classe operária.
Outro caso dramático é da trabalhadora Maria Francisca Barbosa que trabalhou no partido por mais de 20 anos. Ela também foi para a Justiça do Trabalho, recebeu uma pequena parte dos seus direitos e foi obrigada a viajar para Turiaçu porque vinha recebendo ameaças de espancamento de pessoas ligadas ao presidente do PPS, Paulo Matos, e até hoje não recebeu suas verbas trabalhistas. Dona Francisca diz que mesmo sendo mulher e se fosse um pouco mais jovem, se encontrasse o Paulo, o encheria de murros e tapas. É o que ele merece, diz ela, e muito.
O caso mais dramático é o José Cambel que ao denunciar o PPS na Justiça do Trabalho fez um acordo com Paulo Matos na frente do juiz, mas não cumpriu. O primo de Cambel, Jonatan, conta que, depois desse episódio, ele foi internado em um hospital psiquiátrico com sérios problemas de depressão e até hoje não se recuperou. Jonatan conta que quando Cambel é abordado sobre o assunto fica completamente transtornado, chora, grita, sai correndo pelas ruas e via de regra tem que ser internado novamente.
Atitudes desumanas como estas são as marcas do tratamento que a atual direção do PPS no Maranhão, sobre o comando do Sr. Paulo Matos, vem dispensando aos trabalhadores do partido, diz Léa Santiago. O mais revoltante, continua ela, é que o PPS nasceu para defender e proteger os trabalhadores e o seu presidente faz o contrário: massacra, humilha e explora os humildes, logo ele que é um desempregado, sem profissão, que vive à custa do PPS, conclui a trabalhadora revoltada.
Léa Santiago informa que está juntando documentos, relatórios e depoimentos que serão encaminhados à Justiça Eleitoral, ao Diretório Nacional e a todos os diretórios regionais do PPS no Brasil com o objetivo de reaver seus direitos trabalhistas.