O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), d. Geraldo Majella Agnelo, disse na última sexta-feira (22), que a proposta de reajuste salarial de 91% para os parlamentares é uma "desfaçatez". Conclamou ainda os fiéis para irem às ruas protestar contra a medida.
"Os padres devem fazer pregações nas missas [contra o aumento] e a população precisa ir à rua, pacificamente. Com muita pressão, os parlamentares vão recuar porque esse aumento é absurdo", disse.
O cardeal arcebispo de Salvador e presidente da CNBB afirmou também que os atuais parlamentares formam a pior legislatura da história brasileira. "Esses deputados não merecem [reajuste]. Esse é um dos piores ou o pior Congresso da história do Brasil. Nunca se viu tanta denúncia de corrupção, tanta vergonha em um ano só."
D. Geraldo aproveitou a tradicional mensagem de Natal da CNBB para comparar o comportamento dos políticos em relação ao salário mínimo --R$ 380 a partir de abril de 2007-- e o reajuste dos salários no Congresso. "Para dar R$ 1 de aumento no salário mínimo, os deputados fazem muitas contas, discutem dados, apresentam números. Quando o reajuste é para eles, em benefício próprio, ninguém faz conta nenhuma, tudo é permitido."