Os governadores à frente dos quatro Estados do Sudeste no próximo mandato anunciaram na sexta-feira a criação de um gabinete de gestão integrada da região, como parte de medidas para combater o crime organizado.
"A idéia é que esse gabinete comece a funcionar logo após a posse, no mês de janeiro", afirmou a jornalistas o governador reeleito de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), após a reunião na capital fluminense.
O gabinete deverá ter reuniões a cada dois meses em uma das quatro capitais. O objetivo será trocar informações entre as polícias dos Estados e elaborar medidas conjuntas entre as secretarias de Segurança Pública.
Cada Estado terá um representante da Polícia Militar e um da Polícia Civil no gabinete integrado.
"O problema de segurança pública no Brasil não é ter idéia inovadora, é aplicar as idéias", disse o governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB).
"Depois de o gabinete estar atuando, deve contar com a participação do governo federal e recursos do fundo nacional de segurança e do fundo penitenciário. No futuro, o gabinete deve integrar também a Polícia Federal", acrescentou Serra.
Os governadores pretendem criar postos de fronteira na divisa entre os Estados para evitar o transporte de armas e mercadorias ilegais.
"Isso não envolve apenas a Secretaria de Segurança Pública, mas a Secretaria de Fazenda dos Estados. Isso envolve o roubo de cargas, contrabandos e o transporte ilegal de combustíveis. Temos que aproximar a segurança das autoridades fazendárias", defendeu Serra.
Para o governador eleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), a questão partidária foi deixada fora da discussão. "É isso que eu percebo nos encontros com o presidente Lula. Ninguém tem discurso de oposição."
O governador reeleito do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), também participou da reunião, em que houve ainda críticas à situação dos portos e das estradas do país, com algumas posições em defesa da "estadualização" da infra-estrutura.