A edição do último domingo (24) do Jornal Pequeno surpreendeu a todos os leitores - e maranhenses em geral - pela forma explicitamente violenta (e virulenta) como tratou um assunto que, para quem acompanha o dia-a-dia político, é extremamente rotineiro: processos na Justiça Eleitoral.
De acordo com o jornal dos Bogéa, a coligação da senadora Roseana Sarney (PMDB) deu entrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) em um processo que, dentre outras coisas, pretende cassar o diploma do ex-prefeito de São Luís, Jackson Lago (PDT), eleito governador em outubro deste.
A coligação "Maranhão - A Força do Povo", que tinha, ainda, o senador João Alberto (PMDB) como candidato a vice-governador, alega que houve compra de votos, abuso de poder político e abuso de poder econômico por parte de coligação "Frente de Libertação do Maranhão", do candidato Jackson Lago, e que esses subterfúgios foram decisivos para a vitória do pedetista sobre a senadora, à época, pefelista.
Mas os asseclas de José Reinaldo e Jackson Lago no Jornal Pequeno não aceitam a democracia. Para eles, as coisas devem ser resolvidas por meio da violência, da ameaça, da coação.
Temem tanto que a Justiça seja feita valer e que seus mais sórdidos desejos sejam frustrados, que resolveram apelar para o incitamento à violência. Querem fazer de suas páginas baluartes de resistência forçada, quando, na verdade, não passam de mero informativo do Palácio dos Leões, exemplo do mais cínico, debochado e vil jornalismo que já se testemunhou no estado - quiçá no Brasil.
O processo protocolado pelos advogados, goianos sim - e qual o problema com os nossos compatriotas, afinal, não somos todos brasileiros?! - é coisa normal na Justiça Eleitoral e aí estão as dezenas de processos contra deputados federais e estaduais brotando todos os dias dos gabinetes do Ministério Público Eleitoral. Porque só o "dr. Jackson" - ele tem doutorado? - não pode passar por processo nenhum?
O próprio mentor da Frente da Traição, governador José Reinaldo (PSB), foi vítima de um processo movido pelo hoje aliado Jackson Lago, em 2002. Naquela ocasião, Jackson também pedia a cassação do diploma do governador eleito por abuso de poder econômico. Ele afirmava que a existência de um avião com dinheiro seria supostamente utilizado para a compra de votos.
Naquela época, não se viu o JP conclamar a população a ir às ruas e quebrar tudo porque o seu direito estava sendo vilipendiado. Pelo contrário, o jornal do Dr. Pêta cobrava, todos os dias - contando cada um deles - o julgamento do processo no TRE.
Porque agora tudo mudou? Por um simples motivo: porque o que está em jogo são os interesses mesquinhos de quem fez fortuna tratando com desleixo os seus leitores, fazendo fofocas como se fora jornalismo. Usando e abusando do poder - ou da proximidade com este - para se favorecer de todas as formas.
A democracia é o respeito às leis. Se Jackson Lago venceu as eleições de forma limpa, terá a oportunidade de comprová-lo em tantos tribunais quantos foram designados para apreciar a questão. Se não foi assim, tem que ser punido de forma veemente, porque não está acima das leis. E aí, não adianta choro nem reza - nem tampouco violência -, porque o que vai valer é a decisão judicial.