Por Gilberto Léda
Editoria de Política
Fora
Derrubada pode gerar nova crise
Uma crise interna pode ter definido o fim do sonho do ex-ministro Edison Vidigal (PSB) - candidato a governador derrotado nas últimas eleições - de emplacar a esposa, Eurídice Vidigal, na Secretaria de Segurança Cidadã.

Informações de fontes pedetistas dão conta de que, antes mesmo de viajar para Fortaleza, onde passou o Natal e deve, também, ficar para o Réveillon, o governador eleito, Jackson Lago (PDT), já teria decidido não entregar mais a pasta à esposa do caxiense.
Fator decisivo para a mudança, garante o interlocutor de Veja Agora, teria sido a pressão exercida, principalmente, pelos jornalistas e radialistas que cobrem o cotidiano policial no estado.
Desde que o nome de Eurídice começou a ser cogitado para a Secretaria de Segurança Cidadão, já houve diversas manifestações contra a sua indicação para o cargo. Entre as principais resistências, existe o fato, alegado por muitos dos que cobrem a área, de que Eurídice é especialista em Segurança, mas nunca trabalhou de fato chefiando uma equipe do ramo.
"Houve muita pressão e muita resistência ao nome dela. As pessoas que vivem esse cotidiano não estavam querendo aceitar ser comandados por uma pessoa que nunca trabalhou com isso antes e todo mundo sabe que, para trabalhar com polícia, tem que ter comando, tem que ter carisma", afirmou nossa fonte.
A decisão já teria sido comunicada ao ex-ministro Edison Vidigal e à sua esposa.
Ainda segundo o mesmo interlocutor, o nome que deve substituir o de Eurídice Vidigal na pasta é o de Almir Coelho, da Procuradoria do Estado.
"O governador [eleito, Jackson Lago] pode indicar mesmo um procurador de carreira, que tenha mais contato com a área em seu trabalho ordinário e, aí, o nome que aparece é o de Almir Coelho", declarou.
Nova crise
Caso a informação da fonte de Veja Agora venha a se confirmar, a derrubada de Eurídice Vidigal de um cargo que já estava praticamente assegurado pode gerar a segunda grande crise nas bases jackistas antes mesmo de o ex-prefeito assumir o governo.
A primeira envolveu Clodomir Paz, que queria a Casa Civil, foi indicado para a Articulação Política, não aceitou e acabou ficando sem nada.
Candidato indicado pelo governador José Reinaldo (PSB), Edison Vidigal foi fundamental para a eleição de Jackson, principalmente quando surpreendeu com sua expressiva votação no primeiro turno (14,26%) e possibilitou a realização do segundo.
Depois de definido o pleito, surgiram rumores de que o quinhão que caberia ao ex-ministro seria a possibilidade de disputar a Prefeitura pelo grupo, no entanto, as coisas mudaram com a indicação de Eurídice para a Segurança Cidadão. Se for mesmo rifada, Edison Vidigal fica sem nenhuma participação no próximo governo e pode cobrar a fatura do apoio dado nas eleições.