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Metendo o Bedelho



Data de Publicação: 27 de dezembro de 2006
 
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Professor Caio
metendoobedelho@jornalvejaagora.com.br


*Hostilio Caio Pereira da Costa

A importância da universidade para a sociedade
Vivemos hoje num período de enormes mudanças e transformações que, sem dúvida, afetarão profundamente o nexo ciência e sociedade com conseqüências não só para a estrutura administrativa, a organização curricular e os procedimentos acadêmicos, mas para a própria função da universidade no interior da sociedade.

Na atualidade, todos nós concordamos que a sociedade se encontra num profundo processo de transformação. Instalou-se um grande debate entre modernos e pós-modernos a respeito da gravidade destas transformações. Os pós-modernos defendem o ponto de vista de que estamos no início de uma nova era da humanidade, enquanto os modernos apenas admitem que o momento é de revisão da modernidade, pois defendem a idéia de que o conceito moderno de racionalidade deve ser preservado em suas características básicas.

Realmente muitas coisas estão mudando no mundo, abrindo outras perspectivas sociais, econômicas, políticas e culturais. Mesmo as coisas que não sofreram maiores abalos, já não podem ser mais como antes. Alteraram-se as relações no jogo das forças em curso na vida das sociedades nacionais e da sociedade mundial.

Estas mudanças refletem-se sobre a mesma essência da sociedade e do próprio ser humano, a ponto de parecer justificado perguntar se ainda é possível falar da sociedade ou de ser humano no mesmo sentido como se fazia há algumas décadas. Isto é verdade, visto que os conceitos fundamentais como a sociedade de classes, trabalho, proletariado etc. parece cada vez mais obsoletos, inadequados para descrever a realidade social dos nossos dias. Com este momento de mudanças, assistimos também a profundas transformações nas formas de governo com a redução do Estado e a interferência cada vez contundente de condicionantes internacionais que ditam normas de comportamento e de ação não só para as nações do mundo inteiro, mas também, privadamente, para todos os indivíduos.

A universidade, por sua vez, não pode continuar formando apenas para uma sociedade industrial. A sua função primordial é formar para todas as áreas de atuação no mercado de trabalho. O exemplo claro dessa calamidade universitária é o Brasil, que tem cerca de 15 milhões de jovens. Após pesquisas, é sabido que apenas 20% destes 15 milhões encontram emprego. A média de escolaridade é de 4 anos. A desculpa para o desemprego é a falta de escolaridade. Por isso, os estudos se prolongam mais. Porém, é certo afirmar que esse jogo de empurra é ilusório, uma vez que o número de empregos é limitado. Por outro lado, existem empregos no mercado de trabalho que ficam vagos por falta de escolaridade e qualificação dos pretendentes.

Portanto, não podemos mais esperar por promessas dos políticos em épocas de campanhas eleitorais. Devemos reagir. A universidade deve exigir maiores recursos, porque os cursos superiores sem a prática da indissociabilidade em ensino, pesquisa e extensão, jamais formarão profissionais qualificados. Na educação básica não podemos conceber uma educação quantitativa. Pois os governantes apenas buscam elevar o número de alunos, visando ao aumento dos recursos. Ficando, com isso, o ensino/aprendizagem à mercê de currículos mal elaborados, professores sem formação continuada e avaliações meramente quantitativas.

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