Em ano eleitoral, o governo Luiz Inácio Lula da Silva privilegiou deputados e senadores de partidos aliados ao liberar verbas para emendas parlamentares. O PT lidera a lista dos beneficiados, seguido pelo PMDB e PC do B.

Esse quadro aponta para uma mudança na preferência do Palácio do Planalto ao selecionar as emendas dos aliados em relação a 2005, quando o privilégio recaiu sob PP, PL e PTB, a chamada “trinca do mensalão” - partidos com maior número de parlamentares ligados ao escândalo.
Desta vez, os contemplados foram os partidos dos presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Ambos têm o aval do presidente Lula para seguir no cargo.
Neste ano, os 93 parlamentares do PT conseguiram empenhar um total de R$ 124,7 milhões. Esse montante significa que o partido conseguiu empenhar 65,7% das emendas que apresentou ao Orçamento da União, segundo dados do Siafi (sistema de acompanhamento de gastos federais). Em 2005, foram R$ 96,7 milhões.
O empenho é o primeiro passo para um projeto do parlamentar sair do papel. É uma espécie de promessa de gastos que, depois, devem ser efetivamente liberados dos cofres públicos por vontade do governo.
Na maioria dos casos analisados, a emenda individual é direcionada para investimentos nos redutos eleitorais dos parlamentares, como projetos de saneamento, conjuntos habitacionais e quadras esportivas. No jargão do Congresso, são as emendas “carimbadas” (por levar o nome do parlamentar), que ajudam a captar votos.