Entrevista
Eleição foi surpresa
O senador José Sarney (PMDB) comentou, ontem (27), em entrevista a um programa de TV local, o cenário político nacional e estadual deste ano que termina. O senador adiantou que está disposto a ajudar o governador eleito Jackson Lago (PDT), uma vez que prevê um período de dificuldades na nova administração estadual devido à falta de credibilidade do estado.

O senador afirmou que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) significa a consolidação da República no país.
"Começamos o século com o povo no poder, um operário na Presidência. Muitos países queriam que isso ocorresse, tivemos várias revoluções que desejavam que todas as classes participassem do poder, mas o Lula conseguiu que fizéssemos isso sem trauma, se viu que foi bom uma vez que tivemos várias avanços na área social", disse.
José Sarney pontuou vários itens que tornaram vitoriosos o governo petista. Ele disse ainda que questões como a taxa de crescimento anual do Brasil ainda não é satisfatória, contudo isso demonstra que o país não está estagnado.
"Saímos de uma fase de desemprego, a Bolsa Família aumentou a renda do brasileiro, houve maior oportunidade de crédito, o que fez com que o país tivesse um consumo bem maior e dinamizou a economia, saímos da estagnação econômica. Estamos com um crescimento modesto, mas ainda não satisfatório. Não crescemos as taxas que desejávamos, contudo é um crescimento que mostra que o país não está parando", acrescentou.
Maranhão
Sobre o contexto político maranhense, o senador José Sarney voltou a expressar surpresa com a vitória do candidato pedetista. Segundo o senador, é notória a liderança política da senadora Roseana Sarney no Estado, no entanto, ela tinha contra sua candidatura uma campanha apoiada pela máquina administrativa e por uma estratégia de marketing com função de "desconstruir" a imagem da senadora.
"No Maranhão tivemos uma surpresa grande, a Roseana é a maior líder popular do Estado. Mas tivemos uma campanha na qual o Governo do Estado tomou-se de um ódio que extrapolou todas as medidas. Utilizou a máquina estatal de maneira brutal, uma campanha de ataque a Roseana. A desconstrução chegou a criar uma desfaçatez. O marqueteiro disse em entrevista que criou um plano, em que desmoralizaria Roseana através de um candidato, outro pra comprar votos de prefeitos, eleitores, políticos, e o terceiro, que foi o doutor Jackson, tinha função de ser candidato tradicional", declarou.
O senador relatou, ainda, a existência de convênios entre o governo do Estado e prefeituras cujo objetivo era apenas angariar votos para os candidatos apoiados pelo Governo do Estado.
"Para se ter uma idéia no dia 29 de julho, o Zé Reinaldo fez 291 convênios de R$ 600 milhões distribuídos para as prefeituras, de maneira que isso fez com que tivéssemos esse resultado que surpreendeu, mas enfrentamos com absoluta consciência democrática", ressaltou.
Para as análises de que a vitória de Jackson Lago representa o fim de um ciclo no Estado, José Sarney afirmou que não houve nenhuma renovação no pensamento das pessoas. O senador lembrou, ainda, que muitos dos que se colocam, hoje, como novas lideranças, foram lançados por ele ou aliados políticos em algum momento da vida pública.
"O fim de ciclo deveria ser o fim das pessoas que participaram dele. Substituição com pessoas da minha idade, não é fim de ciclo. Tinha que renovar com pessoas que representam o pensamento novo, todos que estão aí passaram pela minha mão. Eu botei muita gente nova na política, botei Castelo, Zé Reinaldo, Luiz Rocha. Tentei fazer com que gente nova assumisse a política, se eles não fizeram sucesso a culpa não foi minha", pontuou.
José Sarney disse que no futuro o Maranhão poderá analisar o que representou a atual gestão do Executivo estadual, que para ele foram quatro anos de desastre. O senador prevê ainda um período de dificuldades para o próximo governador.
"Eu lamento o que ocorreu, lamento o que perdeu o Maranhão neste governo de quatro anos. Vamos ver na história, no futuro, o que representou este desastre. Tenho pena do próximo governador por que ele vai enfrentar um período difícil, de falta de prestígio do Estado", avaliou o senador.
Apesar de estar alinhado ao grupo de oposição ao governador eleito Jackson Lago, José Sarney se mostrou disposto a ajudar o novo governo.
"Eu não tenho mágoa contra ninguém, nunca tive, em todos estes anos não tem uma pessoa que diga que eu a persegui, isso mostra meu temperamento. Sinceramente vou ajudar o novo governo, jamais deixaria de ajudar, seria manchar minha biografia. Vamos ver se tiramos o Maranhão dessa tristeza", finalizou.