O presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, afirmou, ontem (27), estar indignado com o indiciamento do senador Aloizio Mercadante (SP), ex-candidato do partido ao governo paulista, no inquérito que investiga o "dossiegate". A manifestação de solidariedade foi estendida a José Giácomo Baccarin, tesoureiro da campanha de Mercadante, também indiciado.
No inquérito, entregue ontem pela Polícia Federal à Justiça, o senador é indiciado, junto com dois assessores, por uma suposta participação na tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos.
"A alegação do candidato Aloizio Mercadante de que não teria autorizado ataques ao seu rival político José Serra e que, por conseqüência, nada sabia do dossiê, nos aparenta, no mínimo, inverossímil", anota a PF no relatório final.
"O relatório policial é inconsistente e especulativo e tenta atribuir ao senador Mercadante e ao companheiro Baccarin o ônus de provar suas inocências, sem acusações consistentes", rebate o presidente do PT, em nota oficial do partido.
Garcia não se furta a criticar a participação dos "aloprados" --petistas envolvidos na compra, mas que não foram responsabilizados no inquérito- como Jorge Lorenzetti, Osvaldo Bargas e Expedito Veloso.
"A Direção Nacional e o senador Mercadante condenaram a iniciativa de alguns militantes do partido envolvidos na compra de supostos documentos, alheia a nossas práticas e que trouxeram enorme prejuízo a nossas candidaturas no âmbito federal e nos Estados, particularmente em São Paulo", afirma Garcia.
O presidente interino da legenda diz ainda que o indiciamento será derrubado na Justiça e que Mercadante e Baccarin "têm toda solidariedade do Partido dos Trabalhadores".