Por Gilberto Léda
Editoria de Política
Crise geral
PT ameaça romper; médicos vetam indicação de Edmundo
Jackson foge da pressão
O novo adiamento do anúncio oficial dos secretários de governo, que seria feito ontem (28) pelo governador eleito, Jackson Lago (PDT), revelou o crescimento de mais uma grande crise nas hostes pedetistas antes mesmo de o ex-prefeito de São Luís assumir a administração do Estado.

Fontes governistas garantem que há um clima geral de insatisfação entre os aliados - de primeira e última hora - e que, para fugir da pressão, Jackson Lago teria retornado a Fortaleza, onde passou o Natal com a família.
"É por isso que não vai ter anúncio nenhum hoje [ontem]. O Jackson está perdido nessa história toda de secretariado e tem pressão demais de todos os lados. Ele já viajou, parece que para Fortaleza de novo, porque não quer saber de pressão", garantiu, por telefone, uma fonte a Veja Agora.
As críticas ao critério de distribuição de cargos entre os aliados partiram dos petistas. O presidente estadual da legenda, deputado federal recém-eleito Domingos Dutra, teria se mostrado insatisfeito com o fato de que, no desenho atual da nova administração, o PSB e o PSDB seriam os maiores beneficiados e ameaça romper.
Até agora, segundo o que já foi revelado por fontes pedetistas, o PSDB contaria com cinco secretarias - Aderson Lago na Casa Civil Juscelino Pereira no Desenvolvimento Social, Telma Pinheiro na Secretaria de Cidades, Wilson Carvalho na Articulação Política e João Castelo na Emap - e o PSB, com quatro - Ribamar Alves na Ciência e Tecnologia, Domingos Paz na Agricultura, Eurídice Vidigal na Segurança Cidadã e Othelino Neto no Meio Ambiente.
Os petistas querem, ainda, mais espaços que apenas as Secretarias de Cultura e Trabalho e Economia. Dutra, no entanto, não considera a pasta de Cultura como sendo do PT, já que o provável secretário, Joãozinho Ribeiro, conquistou-a devido a sua proximidade com o governador eleito.
Sobre a Secretaria de Economia e Trabalho, os petistas a consideram apenas uma "meia-Secretaria", já que, com a reforma administrativa, ela foi desmembrada da Secretaria de Desenvolvimento Social.
Médicos
O outro grande problema de Jackson Lago é com a classe médica. Interlocutores de Veja Agora afirmaram que um grupo - atualmente com 150 médicos - está preparando um documento rejeitando a indicação do atual secretário Municipal de Saúde, Edmundo Gomes, para a Saúde do Estado.
Os profissionais argumentam que, durante a campanha eleitoral, foi realizado um manifesto de apoio ao pedetista com um jantar onde se encontravam mais de 400 médicos e que o chefe da pasta poderia ser escolhido desse grupo.
"Eles não acreditam que, de 400 médicos, nenhum tenha capacidade de ser o secretário de Saúde do Estado e que o Jackson tenha que pedir emprestado o secretário do Município", ressaltou nossa fonte.
O movimento tem as mesmas características do encabeçado pela comunidade científica, representada pela SBPC, que rejeitou, na última terça-feira (26), a indicação do deputado federal reeleito Ribamar Alves (PSB) para a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECTEC). Os cientistas também querem opinar sobre a indicação de um nome, a exemplo do que ocorreu com as Secretarias de Indústria e Comércio, Turismo e Igualdade Racial.
Imperatriz
Em Imperatriz, a situação também exige muita cautela. Depois de se indispor com o deputado federal reeleito Sebastião Madeira - que cobra mais espaço para os políticos do sul do Maranhão no novo governo -, Jackson Lago enfrenta, agora, a insatisfação popular estimulada pela imprensa.
A edição de ontem de um jornal local trazia na primeira página a manchete: "A gente era feliz e não sabia", referindo-se ao fato de que, antes da eleição do pedetista para governador, a região sul era vista com mais carinho pelos governantes.
Até agora, a única liderança da região já definida como parte integrante do novo governo é o pastor Luís Porto, vice-governador eleito e provável secretário Extraordinário de Desenvolvimento do Sul do Maranhão.
Ainda nesta quinta pela manhã, em entrevista a uma emissora de rádio de Imperatriz, Madeira mandou um recado ao governador eleito. "Entre o Governo do Estado e o povo do Sul do Maranhão, eu fico com o povo", disse. A afirmação pode ser mais um indicativo de rompimento.