Em julho deste ano, a Defesa Civil identificou 50 casarões no Centro Histórico em risco iminente de desabamento. Quase seis meses depois, com o início das chuvas, o alerta é novamente redobrado principalmente em áreas de periferia onde não há qualquer saneamento básico, o que condiciona alagamentos e desmoronamento de terra.

No caso dos casarões, muitos já sofreram estabilizações pelo IPHAN. Poucos ainda encontram-se abandonados e provavelmente não resistirão às próximas chuvas. Como é o caso do Casarão n.º 445 da Rua da Palma, no Centro, onde apenas um quarto e as paredes externas ainda permanecem de pé.
Dos locais onde a Defesa Civil visitou, o Coroadinho é campeão em construções identificadas. Segundo o Capitão Manuel Teixeira, mesmo aquelas que são feitas de alvenaria, se estiverem em locais onde há perigo de desmoronamento de terra, são notificadas.
É o caso da casa onde mora Maria de Fátima dos Santos, sua mãe e dois filhos, ao lado de um despenhadeiro. Toda vez que chove, uma correnteza forte arrasta uma quantidade grande de terra. Dentro da sua casa, o telhado não é suficiente para conter a água. "Dá medo, muito medo, vez ou outra, até a rede de energia solta umas faíscas que tememos queimar tudo", contou.
Lamentavelmente, milhares de famílias moram em situações semelhantes. Na área da Vila dos Frades, São Sebastião e outras, dentro do Coroadinho, por exemplo, várias casas se espremem ao longo das ladeiras sem qualquer segurança.
"Não temos para onde ir. Toda eleição votamos para governador e prefeito, mas nenhum deles lembra de nós. Na hora de pedirem votos sabem, mas depois não podem nos ajudar naquilo que realmente precisamos", lamentou Maria Enedina Gomes, aposentada.