O governador José Reinaldo, que hoje encerra seu triste mandato como chefe do Executivo estadual, viveu até o último momento de seu desgoverno, a triste sina de ter se transformado, além de político que teve uma atuação nefasta, num homem que viveu apegado a mentiras e falácias.
Numa entrevista exibida na última sexta-feira e gravada há mais de uma semana, concedida ao apresentador Chico Viana, na TV São Luís, o governador mostrou-se como sempre foi: um político inepto, claudicante, despreparado e mentiroso.
Aos telespectadores José Reinaldo tentou se mostrar como o homem que transformou o Maranhão num paraíso de obras e um político interessado na melhoria da situação econômica e social dos maranhenses. Tudo falácia. José Reinaldo mente na TV com a mesma desfaçatez com que traiu antigos aliados, se ombreou com seus mais ferozes adversários e transformou o Maranhão num império moldado à sua imagem e semelhança. Ou seja, com as marcas indeléveis da corrupção, notadamente nos escândalos das estradas fantasmas, na compra superfaturada de livros, medicamentos, computadores e no farsesco acordo com a construtora Camargo Correa que lesou o erário em mais de R$ 230 milhões.
Quase cinco anos depois de assumir o governo do Maranhão pelas mãos da senadora Roseana Sarney e com o apoio determinante do senador José Sarney, o Maranhão que José Reinaldo lega aos maranhenses tem um saldo trágico. Como se pode ver durante a campanha eleitoral, quando usou de forma despudorada a máquina do governo para promover seus candidatos e eleger seu sucessor, José Reinaldo chega ao ocaso de sua vida pública como um homem que foi capaz de transformar setores que funcionavam a contento em verdadeiras sucatas.
As escolas públicas são um exemplo desse caos implantado no Maranhão. Embora tivesse arrotado que construiu escolas de segundo grau em todos os municípios maranhenses, José Reinaldo mentiu ao dizer que o setor está equacionado e que o próximo governo poderá trabalhar para obter resultados que possam tirar o Maranhão do estado de verdadeira indigência em que ele o relegou. Faltam professores concursados e qualificados; escolas e ginásios de esportes estão desabando por falta de manutenção e os salários dos professores nunca foram tão aviltados como agora.
José Reinaldo mentiu ao dizer que fez algo no campo de saneamento básico. As duas estações de tratamento de esgotos feitos durante seu governo só saíram do papel por causa da tenacidade e determinação do então gerente metropolitano, Ricardo Murad, que construiu as obras e as deixou concluídas. Depois que Ricardo deixou o governo, as obras foram paralisadas e nunca foram interligadas à rede de esgoto.
A Lagoa da Jansen, obra que significa um marco da administração de Roseana, foi abandonada por José Reinaldo e se transformou numa imensa cloaca. Obras dos Vivas abandonadas, o Bairro Modelo abandonado, as estradas transformadas em caminhos para a morte e uma agricultura incipiente, digna de países subsaarianos.
Eis o legado de um homem que preferiu ser pau mandado de uma mulher que se aventurou a fazer política e que veio ao Maranhão para subverter as instituições consolidadas, implantar esquemas criminosos na administração pública e transformar o governo do estado em fonte inesgotável de enriquecimento, festas pomposas e dramalhões familiares dignos das piores novelas mexicanas.