IRRESPONSABILIDADE
Roubalheira de dinheiro público
Um patrimônio inteiro entregue aos saqueadores. Esse foi o destino do prédio que deveria abrigar o Projeto Sopa Viva cuja obra de construção foi concluída em 2004, porém nunca inaugurada nem pelo governador José Reinaldo, nem pela então secretária de Solidariedade Humana, Alexandra Miguel, que visitou a obra e prometeu inúmeros empregos para a comunidade.
Localizado entre a Vila Cascavel e o São Raimundo, próximo ao Parque Independência, o prédio chama a atenção pela suntuosidade com que foi construído, todo com peças de alumínio, um grande pátio ao redor, maquinário caro, cercas de ferro, guarita para vigilância permanente e outros aparatos que garantiriam aos trabalhadores, além de uma fonte de renda, o acesso a um local de trabalho agradável com tecnologia de ponta.
Entretanto, tudo não passou de ilusão. A pressa na conclusão da obra para cumprimento do prazo de 180 dias, não resultou em beneficio para população. Logo que a obra foi concluída e a inauguração não ocorreu, começaram os saques ao material.
A onda de roubos começou com o gerador de energia, depois com os cabos dos postes. A fábrica ficou no escuro. Mesmo com vigias, a segurança era ineficiente porque até eles foram ameaçados.
Hoje, seis meses após a saída do último vigilante, pouco se encontra. Os portões de alumínio e a fiação das máquinas foram roubados, as vidraças quebradas, material de plástico e ferro foram levados e o que não conseguiram carregar, ficou danificado. Por fora, mato toma conta do pátio.
Fátima da Luz, moradora da Vila Cascavel, disse que os carroceiros arrancavam as peças de alumínio, amassavam e escondiam para depois levarem, de preferência à noite quando não podiam ser barrados pelos vigias.
Descaso
A Construtora Presidente, encarregada pela construção da fábrica, concluiu a obra e entregou aos comandos do Governo do Estado. Mesmo depois disso, permaneceu com vigilância até meados deste ano, quando, por falta de pagamento, dispensou o funcionário.
João Marcos Mendonça Serra trabalhou até 25 de junho, apesar de ter sido dispensado desde o dia 1º. Na opinião dele, era improvável que aquele prédio não fosse alvo de roubos, mas a situação estava insustentável já que o governador não queria custear com vigias e a manutenção.
O vigilante lamenta o descaso com a obra porque muitas pessoas criaram a maior expectativa, fizeram cursos pelo Sebrae, se endividaram e nada. Ele mesmo foi ao Ministério Público e à Ordem dos Advogados do Maranhão atrás de orientação para denunciar o abandono da obra, sem sucesso.
O governador José Reinaldo não deu continuidade ao projeto que iria ser implantado no Estado do Maranhão e visava a beneficiar milhares de famílias carentes. Gracinha Marques Silva, dona de um bar, foi informada que os empregos seriam para a comunidade, pouco antes da conclusão dos serviços, disseram que era para concursados. "Prometeram tantos empregos e nunca vimos nenhum", reclamou.