Problemas técnicos em três ferry-boats deixaram ontem um grande número de usuários do transporte esperando e até irritados na Ponta da Espera, no Anjo da Guarda. A causa foram estragos causados pelo vento forte que se choca contra as barcaças durante os últimos meses.
De acordo com Ronald Cabral Cisneiros, gerente comercial de uma das empresas que responde pelas embarcações, os ventos que sopram no mar a partir do mês de setembro são mais fortes e violentos, e isso danifica alguns instrumentos dos ferry, gerando prejuízos às empresas e aos usuários.
"A situação sempre se complica a partir de setembro. O vento forte exige muito mais do motor, danifica as rampas e causa este tipo de problema. Muitas vezes nós somos obrigados a suspender o funcionamento dos ferry-boats para fazer os reparos necessários. Foi o que aconteceu nesta terça-feira (05). O vento estava tão forte que prejudicou o funcionamento de três embarcações", afirmou.
Foram afetados os ferries "Baía de São Marcos", "Alcântara" e "Pinheiro"; sendo o primeiro maior do que todos os outros que estão em funcionamento atualmente, focado no transporte de veículos. O "Pinheiro" recebia ontem pela manhã os últimos ajustes após uma troca de motores.
Durante todo o dia, as viagens atrasaram cerca de uma hora e meia. Quem deixou para comprar bilhetes de passagem no último momento não conseguiu vaga, assim como quem estava na fila de espera.
A demora para a retomada do funcionamento normal no porto é causada porque muitos dos instrumentos danificados precisam ser repostos por novos, vindos do Pará ou de São Paulo. Além disso, não há em São Luís mão-de-obra especializada no conserto dos ferries, o que demanda a vinda de técnicos. A situação só deverá ser normalizada a partir de hoje.
O transtorno foi grande principalmente para os que trabalham com carregamento de produtos para fora do estado ou trazidos de outras localidades. Uma fila de mais de quinze caminhões ficou parada na Ponta da Espera.
Firmino Reis, motorista de um caminhão cervejeiro, esperava desde o dia anterior para viajar até o Pará, onde deveria deixar o carregamento. "Eu viajo três vezes por semana e a companhia em que eu trabalho tem contrato com as empresas de ferry-boat. Mas nós não estamos tendo preferência, só tem embarcado carro de passeio. Essa hora eu já estaria voltando se tivesse ido no horário de costume". Além de Firmino, outros dez motoristas estavam na mesma situação.