O anúncio feito pelo governador Jackson Lago (PDT), durante entrevista coletiva em sua residência - e confirmado pelo deputado Mauro Bezerra (PDT), em pronunciamento da tribuna da Assembléia Legislativa -, de que serão feitas auditorias nas contas do Estado para que sejam encontradas as causas do crescimento da dívida pública do Maranhão, hoje no patamar dos R$ 6 bilhões, tem provocado reações as mais diversas no meio político, seja entre aliados, seja entre oposicionistas.
Para os primeiros, há a convicção de que o anúncio não deve ser tomado como revanchismo contra José Reinaldo (PSB) - atual governador e, teoricamente, alvo imediato de uma ação como essa -, mas como uma forma de tentar prejudicar, também, a senadora Roseana Sarney, que, argumentam em eles, foi quem já deixou o Estado em situação ruim quando lançou seu então vice-governador candidato a chefe do Executivo.
Para os oposicionistas, a convicção é bem outra: a atitude seria a confirmação de que Jackson já não suporta mais a proximidade do grupo reinaldista junto do PDT e quer ter armas para retaliar atitudes mais ríspidas de José Reinaldo e sua turma - como a nota publicada pelo JP criticando a visita do governador eleito à senadora pefelista, em seu gabinete, na capital federal.
Há, no entanto, uma terceira linha de raciocínio que parece ser a mais próxima do real. Segundo os adeptos desse pensamento, ao anunciar a auditoria nas contas do Estado, o ex-prefeito de São Luís estaria, na verdade, preparando o terreno para qualquer atitude mais drástica - contra Roseana Sarney, contra José Reinaldo, ou mesmo contra os dois de uma vez só - que precise tomar para justificar um possível fracasso do governo logo nos seis primeiros meses.
De um lado ou de outro, entretanto, não há dúvidas de que, se realmente levada a cabo, uma auditoria séria nas contas do Executivo deve ter em vista o envolvimento de dois importantes órgãos estaduais em quase todas as denúncias de escândalos de corrupção divulgados pela imprensa maranhense: a Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão (Caema) e a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap).
Da primeira, surgiram suspeitas de desvio de recursos em obras que seriam realizadas no interior; participação em esquemas de favorecimento de aliados políticos do governador através de convênios entre municípios e associações e a Secretaria de Estado e Saúde (SES), chefiada pela secretária Helena Ferreira; e principalmente, sucateamento do órgão e do sistema de abastecimento do Estado por falta de investimento adequados.
Da Emap, tomaram conta do noticiário local as revelações de que podem ter havido irregularidades em contratos para as obras de modernização do Porto do Itaqui; e na contratação da Fundação Sousândrade de Apoio à Universidade Federal do Maranhão (UFMA), para tocar um projeto de inovação no mesmo porto - denúncia que, inclusive, chegou a ser apurada pelo promotor Danilo Castro, mas parou depois que a própria Sousândrade alegou que foi convidada para o "projeto", mas recuou e preferiu não aceitar.
De uma forma ou de outra, mesmo que alguns dos esquemas não tenham se concretizado, não resta dúvidas de que, se passar ao largo da Emap e da Caema, nenhuma auditoria, contratada por Jackson ou qualquer outro governador, pode ser considerada séria.