Dizem que a Justiça para ser imparcial tem que ser cega. Ou seja, tem que fechar os olhos e ignorar todo e qualquer tipo de cargo, posto ou riqueza daquele que está em julgamento. É preciso que seja inflexível, equânime e idônea. Mas que tem que ser, acima de tudo, JUSTA!
A eleição de outubro deste ano foi, aos olhos de todos os maranhenses, a mais sórdida campanha de difamação contra uma liderança política com uso escancarado da máquina do governo. Não se poupou nada. Tudo foi usado, de forma criminosa, para beneficiar as três candidaturas de Jackson Lago, Edison Vidigal e Aderson Lago. O Maranhão viu um escandaloso esquema de malversação de verbas públicas para tomar uma eleição de um concorrente que sempre atuou dentro dos limites da lei.
Aviões a jato, helicópteros, ônibus de luxo, vans, lanchas, picapes luxuosas e milhares de pequenos veículos cruzaram o Maranhão para levar dinheiro, propaganda, eleitores e líderes governistas para cooptar eleitores. Tudo isso era reproduzido nos noticiários de TV. O Jornal Pequeno, porta-voz oficial da baderna governista, chegou a noticiar que o candidato Edison Vidigal passava a dispor, em um determinado momento, de dois helicópteros para sua melhor locomoção pelo interior. Sua declaração de despesas de campanha é um primor de afronta à inteligência por mais mediana que seja de qualquer cidadão. Segundo Vidigal declarou ao TSE, ele não gastou 90 mil reais. Com isso ele sequer pagaria suas despesas de passagens aéreas nas viagens que fez para Brasília nesse período. A Justiça Eleitoral ainda não viu nada demais nisso...
O governador eleito Jackson Lago, que se diz probo e pobre, cujo único patrimônio seria um apartamento no luxuoso condomínio onde mora na Ponta d'Areia, uma casa no Conjunto Elca, no Bairro de Fátima, e um carro "pago em 36 prestações", também desdenha da Justiça Eleitoral ao divulgar gastos de campanha da ordem de míseros R$ 3,3 milhões. Candidato ungido por José Reinaldo para ser governador do Maranhão e "derrotar a oligarquia", Jackson Lago utilizou, no primeiro turno, a poderosa agência Imagine, do empresário Evilson Almeida, para montar sua campanha, que era supervisionada pelo caro marqueteiro Antonio Melo, dono da Pública Comunicações, do Sul do país.
Tida nos meios políticos como sendo a grande beneficiária das gordas verbas de publicidade da Prefeitura desde os tempos em que o futuro governador era prefeito de São Luís, a Imagine é uma empresa de custos elevadíssimos e foi encarregada de projetar, montar e produzir todos os programas de Jackson. Só para se traçar um paralelo, até hoje o PT deve a uma agência que produziu a propaganda eleitoral de Helena Heluy, mais de 800 mil reais. Ou seja, sem contar com o luxo e toda a parafernália midiática da Imagine, o PT não conseguiu honrar seu compromisso. A pergunta que não quer calar é: quem pagou a propaganda eleitoral de Jackson Lago na mídia?
Enquanto a Justiça Eleitoral se apega a detalhes sobre a origem de um mil ou dois mil reais deste ou aquele candidato, o povo do Maranhão exige satisfações da própria Justiça, para que ela dê explicações sobre o financiamento das campanhas eleitorais daqueles que despejaram fortunas na contratação de aviões, pessoal, alimentação, na compra de eleitores e no pagamento de propina a lideranças políticas, como o ex-prefeito Mimi Cutrim, de Olinda Nova.
O Maranhão quer saber por que a Justiça Eleitoral aprovou as contas de Jackson Lago sem que nelas fosse encontrado o recibo das despesas pagas a Mimi Cutrim, já que segundo o deputado Julião Amim, o dinheiro teria saído do comitê de campanha de Jackson Lago.