Chega a ser assustador ter o ex-prefeito Jackson Lago por perto. O homem parece a todo momento destilar uma bile envenenada, capaz de ameaçar a vida dos que os cercam. Ele sempre foi um homem amargurado. Não se sabe bem por quais razões. Mas é indiscutível que o homem carrega consigo uma pesada cruz, que faz dele um político sem qualquer vestígio de serenidade.
É só observar mais detidamente quando ele está com os outros membros da Frente da Traição. Enquanto os outros, sempre bem-humorados com a facilidade de acesso aos cofres públicos, aparecem nas fotos sorridentes, Jackson é sempre uma figura carrancuda. Mesmo diante dos fotógrafos aquela máscara de horror se desfaz.
Mesmo quando é eminentemente obrigatório sorrir para os eleitores, o máximo que alguém consegue extrair dele é um esgar no canto da boca. É como se ele vivesse numa tensão permanente, esperando sempre um golpe traiçoeiro de alguns de seus "fiéis" mosqueteiros.
Mas que ninguém se iluda. Isso não é algo de agora, do processo eleitoral desse ano. É esse um traço marcante nesse homem que não sorri, apenas odeia.
Quem ouviu ontem sua entrevista a uma rádio local, viu com perplexidade o quanto de ódio ele carrega dentro de si. Quando ele fala sua voz treme. Seu rosto, crispa-se ao se referir aos adversários e parece uma pedra de gelo quando elogia seus parceiros de Frente de Traição.
Refere-se à senadora Roseana com um escárnio indigno de um homem público que almeja governar o estado e unir todos os maranhenses. Suas referencias jocosas à sua adversária desnudam uma mente obsessiva, que parece querer destruir sua concorrente com as próprias mãos.
Cada vez que falava de Roseana ele repetia, compulsivamente: "a milionária Roseana; a milionária Roseana", num jogo em que ele queria fazer acreditar a ele mesmo que a ex-governadora não é a pessoa simples e respeitada por todos os maranhenses.
Suas mãos crispam-se e ele parece lançar dardos flamejantes de ódio quando indagado sobre seu colega e ex-correligionário, João Bentivi. Candidato de uma frente de pequenos partidos ao governo do Estado, que ele mesmo denomina de Frentinha, em contraposição à frentona reinaldista cujo maior expoente é o próprio Jackson, o ex-vereador foi tratado com grosseria por Jackson, em outra clara demonstração que na sua relação obsessiva-compulsiva com a política, não há lugar para o jogo democrático.
Jackson quer o governo não porque acredite que ele seja o ápice de uma carreira política ou porque tenha planos para ajudar o Maranhão a crescer. Ele quer o poder, simplesmente.
E para isso, destrói amizades, alia-se a corruptos, leva a própria mulher a ser protagonista de uma administração desastrosa, corrupta e venal, sem que isso lhe provoque qualquer ricto em sua face endurecida pelo ódio.
Jackson não quer o poder. Ele quer, a qualquer custo, a qualquer preço, ser governador. Não que isso seja um projeto pessoal. Longe disso. É uma obsessão que precisa ser tratada como tal.
Foi por isso que ele traiu o irmão, Beth Lago, mandou para São Paulo o outro irmão Zé Luiz, rompeu com Cafeteira, espreme Tadeu Palácio, bajula José Reinaldo e se comporta publicamente como o último homem de Neandertal.
É por isso que o Maranhão se recusa a tê-lo como governador.